Trabalho home office cresce mais de 100% em Niterói

Uma pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou que 59 países adotaram o teletrabalho como alternativa para a continuidade dos trabalhos em meio a pandemia do coronavírus. E em relação ao Brasil a Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontou que essa modalidade cresceu 30% durante o período do isolamento. O trabalho remoto pelo telefone, home office e através da internet em Niterói também cresceu mais de 100% de acordo com dados da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio de Janeiro (FCDL).

O vice-presidente da FCDL, Fabiano Gonçalo, explicou que a compra pelo telefone cresceu mais de 30% em níveis nacionais e em Niterói mais de 100%. “O comércio está fechado e as pessoas estão comprando. Restaurantes, farmácias e mercados tiveram que se adaptar e conseguem ter uma facilidade no trabalho”, explicou o também Conselheiro da Câmara de Dirigentes Lojistas de Niterói. Ele ainda frisou que o segmento de entregas cresceu mais de 50% em níveis estaduais e também na cidade de Niterói.

“É uma mudança de cultura e estamos passando momento de mudança. As pessoas também estão se adaptando a rotina de trabalho e os cuidados de casa e dos filhos em casa. Esses mecanismos de trabalho ajudam por um lado pois não perde tempo de deslocamento e otimiza o tempo e a possibilidade de estar presente em maior intensidade com clientes através de reuniões virtuais. Acho também que o empresário vai manter isso mesmo no período pós pandemia e a internet é uma aliada para o trabalho”, ponderou.

“Em consequência da pandemia, muitas empresas que não tinham o teletrabalho como prática agora estão usando. Algumas já informaram que pretendem continuar com o trabalho remoto, já que há redução de custos e, em alguns casos, ajuda a manter bons funcionários, que preferem trabalhar remotamente”, analisou o economista da CNC Evandro Costa.

Segundo o levantamento da Catho, empresa de recrutamento e gestão de recursos humanos, aumentou a oferta de vagas de postos cuja atuação pode ser feita remotamente, como operador de call center (2.015%), consultor de relacionamento (845%), analista de atendimento (127%) e programadores web (55%). As dinâmicas devem ficar claras, incluindo as expectativas, as tarefas que serão desempenhadas e as horas, tanto as de trabalho quanto aquelas nas quais os empregados podem ser contatados. Ele defende que o trabalhador possa ter flexibilidade para realizar as tarefas no local que convir, desde que permaneçam à disposição no horário de trabalho.

O empresário Márcio Porciúncula, 53 anos, tem uma empresa de marketing digital e um atacado de calçados e bolsas em Niterói e São Gonçalo respectivamente. Os quatro funcionários estão trabalhando de casa e em sistema rodízio, quando tem que ir na empresa.

“Tenho um trabalho de muito movimento de produto e o trabalho presencial é muito grande. Mas vou adotar como sistema de bônus e a cada 15 dias vou deixar um funcionário trabalhar de casa. Percebi que eles ficaram mais felizes de estarem em casa. Eles me contam que amam acordar 10 minutos antes do trabalho e começar a trabalhar. Eu entendi que o tempo de deslocamento é prejudicial e essa facilidade de trabalhar de casa agradou eles. Vou fazer essas mudanças quando acabar isso tudo”, contou.

A jornalista Kelly Goldoni é outro exemplo. Vivenciando a experiência de trabalhar de casa, ela decidiu na semana passada aderir o tipo de trabalho para quando acabar a pandemia.

“Vendemos todo o escritório e ficaremos apenas com uma sala para atendimento presencial marcado. Os 19 funcionários vão trabalhar de forma remota. Estamos gostando dessa forma de trabalhar e estamos trabalhando três vezes mais. Também fechamos novos contratos e estamos apresentando propostas novas. Percebo que crescemos nesse período e ate contratamos mais funcionários”, explicou a niteroiense.

OUTROS PAÍSES

O Escritório de Estatísticas do Reino Unido divulgou aumento de 30% as atividades que poderiam ser feitas de casa e outras pesquisas apontam que 34% foi o índice dos Estados Unidos, 26% e 29% na Argentina, 24% na Itália, 28% na França, 20% na Alemanha, 25% na Espanha e 31% na Suécia.

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