TJ pede policiamento para filhos de juízes e cria polêmica em Niterói

Geovanne Mendes –

Reunir a criançada e partir para uma viagem é algo que agrada pais e responsáveis, mas uma em especial tem movimentado as redes sociais em Niterói. No último sábado (08), diversas crianças, filhos de magistrados da cidade e do Tribunal de Justiça (TJ-RJ), se reuniram na orla de São Francisco, na Zona Sul de Niterói, para uma excursão que os levariam para um evento. Para garantir a segurança das crianças um ofício foi enviado pelo TJ-RJ para o comandante do 12º BPM, Márcio Rocha, a fim de que um esquema de policiamento fosse montado no local. O documento caiu nas redes sociais e desagradou internautas e cidadãos, que não viram motivo suficiente para que a Polícia Militar fosse acionada.

“Eu acho um absurdo, porque se fossem os nossos filhos não teríamos esse aparato. Eu acredito que deve haver uma igualdade entre as pessoas. Não é porque se trata de filho de juiz que deve haver mais proteção do que para o restante da cidade”, reclamou um comerciante que não quis se identificar.

Para o presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Leandro Santiago, deve haver um respeito aos magistrados e seus familiares, que, por enfrentarem, em alguns casos, o crime organizado, viram alvos dos bandidos. Segundo Leandro, o caso da morte da juíza Patrícia Acioli ainda ecoa nos tribunais e o medo precisa ser combatido com proteção.

“Acho certo, mas também acho que o 12º BPM já sofre com um número reduzido de policiais militares para garantir a segurança de todos. A juíza Acioli morreu em agosto de 2011 enquanto julgava policiais corruptos e, desde então, um protocolo de preocupação foi criado para proteger magistrados e seus familiares. No entanto, também temos que nos preocupar com o trabalhador comum, o cidadão de bem, que não consegue levar os seus filhos ao parque em um final de semana com medo de ser assaltado ou até mesmo perder a própria vida”, comentou Santiago.
Coronel Rocha confirmou a solicitação feita pelo TJ e esclarece que o fato de se tratar de filhos de magistrados não foi o motivo preponderante para que o embarque das crianças fosse acompanhado por uma viatura. O comandante garante que esse trabalho faz parte da política de proximidade com a sociedade e que qualquer cidadão pode solicitar a monitoria da PM, incluindo escolas, asilos e quaisquer outros setores da sociedade civil.

“Deslocamos a viatura por se tratar de uma área sensível e que já tem toda a nossa atenção. Resolvemos acompanhar este embarque, mas faríamos também se fosse com qualquer escola ou outro setor que nos solicitasse. Não existe predileção pelo fato de serem filhos de juízes, apenas respeito já que muitos ali sofrem ameaças, já que também combatem o crime”, disse.

Vale a pena lembrar que o 12º BPM possui mil policiais militares, deste total 800 prestam serviços em Niterói e 200 no município de Maricá, também de responsabilidade do batalhão. Em nota, o TJ informou que o ofício foi feito a pedido de um juiz de primeira instância e deveu-se a procedimentos de rotina adotados relativamente a magistrados sob risco de ameaça.

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