Tiroteio em porta de Sindicato causa tumulto em Niterói

Geovanne Mendes –

Não bastasse a humilhação vivida nos últimos dias pelos milhares de trabalhadores do setor de supermercados varejistas de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Tanguá, Maricá, Rio Bonito e Saquarema, ficando horas em filas intermináveis para dar baixa na contribuição sindical, onde eram descontados em até R$ 96, no início da tarde de quinta-feira (14), por volta das 13h30min, as milhares de pessoas que aguardavam por atendimento no Sindicato dos Empregados no Comércio de Niterói e São Gonçalo (SEC), na Travessa Cadete Xavier Leal, no Centro de Niterói, foram surpreendidas por homens que passaram em uma moto atirando contra a sede do sindicato. Foram cerca de 10 tiros, que ficaram cravados nas paredes do local. Nenhum trabalhador foi atingido, mas o pânico tomou conta do local, transformando nesta quinta em um verdadeiro filme de terror, mulheres e crianças que estavam na fila corriam desesperadamente, uma senhora quase foi pisoteada.

“Foi uma cena de filme, algo inexplicável. As pessoas estavam na fila e do nada começou o tiroteio deixando todos assustados. Uma senhora caiu no chão e por pouco não foi pisoteada, jamais esquecerei aquilo que vi aqui, uma falta de respeito com o trabalhador. Na terça-feira, por volta das 19 horas também houve disparos aqui na frente”, comentou um dos guardadores de carro que estavam próximos ao local.

Ontem o que se via era o rastro de uma possível tragédia, a porta de aço foi destruída pelos trabalhadores que ficaram revoltados com a decisão da direção da unidade sindical, que fechou as portas e transferiu os atendimentos para unidade que fica em São Gonçalo. Porém, o aviso era claro ao informar que o prazo para a entrega da chamada “Carta de Oposição” havia se encerrado na quarta-feira (13).

“Sinceramente acho um absurdo o que este sindicato está fazendo com a gente. Chego aqui e vejo a porta fechada e este aviso informando que a carta de oposição já se encerrou. Eu desconto R$ 96 e já estou cansada disso, quero os meus direitos”, reclamou a funcionária de um supermercado no Centro de Niterói, que temendo represálias, preferiu não se identificar.

Procurado por A Tribuna, nenhum representante do Sindicato dos Empregados no Comércio de Niterói e São Gonçalo (SEC) foi encontrado.

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