Testemunhas afirmam que diretor de OS ordenou remanejamento de vacinas no Azevedo Lima

Vítor d’Avila

Testemunhas afirmam que o diretor da Organização Social (OS) Instituto Sócrates Guanaes, Rogério Casimiro, foi o responsável pelo remanejamento de doses da vacina contra a covid-19 destinadas ao Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, Zona Norte de Niterói.

A Delegacia de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DCC-LD) investiga o caso a fim de apurar possível fraude na vacinação, com aplicação de doses em grupos não prioritários. Entre as pessoas que teriam recebido indevidamente o imunizante estão funcionários do setor administrativo, acadêmicos, estagiários e dois enteados de Casimiro.

Segundo o delegado Thales Nogueira, titular da especializada, funcionários da unidade prestaram depoimento e detalharam sobre o funcionamento do remanejamento das doses. De acordo com os relatos, uma redução na quantidade de doses enviadas pelo Município foi o ponto de partida.

“Algumas testemunhas falaram que ele seria responsável pelo remanejamento de vacinas. Mandaram um número de 1,8 mil nomes para a Prefeitura, a Prefeitura fez um corte e mandou 1,2 mil doses e o Rogério teria feito o remanejamento e autorizou a vacinação dos administrativos”, explicou Nogueira.

Em relação à vacinação dos enteados, de 16 e 20 anos, os funcionários disseram que também foi uma determinação de Rogério, que teria afirmado que os jovens seriam acadêmicos. Além disso, toda a vacinação de profissionais teria sido autorizada por ele.

“Ele teria autorizado as técnicas de enfermagem a vacinar as pessoas do setor administrativo. Ele teria chegado na hora e pedido para vacinar os enteados porque eles seriam acadêmicos”, complementou o delegado.

Ainda de acordo com Nogueira, o diretor não prestou depoimento, até o momento, por ter a prerrogativa de ser ouvido por último, pois é o principal acusado. Ele deve prestar declarações à especializada ainda nesta semana. Os responsáveis podem responder por falsidade ideológica, peculato e infração de medidas sanitárias.

A defesa de Rogério foi contatada pela reportagem. Entretanto, a advogada responsável alegou estar em uma reunião e não pôde atender. Assim que entrar em contato, este texto será atualizado.

Recordando

Suspeitos de furar fila da vacinação contra a covid-19, no Hospital Estadual Azevedo Lima, estão na mira da Polícia Civil. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos, no dia 22 de fevereiro, na unidade de saúde e na casa de um diretor e uma coordenadora (que vivem juntos) da Organização Social (OS) que administra o hospital.

A ação foi coordenada pela Delegacia de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro e as investigações começaram após o Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren-RJ) denunciar que dois filhos da coordenadora, enteados do diretor, haviam sido vacinados sem fazer parte dos grupos prioritários. Os jovens possuem 16 e 20 anos.

Segundo a Polícia Civil, os cartões de vacinação dos jovens foram encontrados e apreendidos, aumentando a suspeita de fraude. Em diligências na unidade, foram encontradas diversas rasuras e vulnerabilidades na lista de vacinados, inclusive o nome do jovem de 16 anos, identificado como “acadêmico de medicina”.

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