Clima tenso em São Gonçalo

O clima também esquentou na frente do 7º BPM (São Gonçalo), onde cerca de 50 pessoas bloquearam os dois portões de entrada da sede da polícia militar do município. Esposas, filhos, pais, mães, irmãos e amigos estiveram presentes no bloqueio durante toda a manhã e tarde da última sexta-feira.

Bonecos foram vestidos com fardas dos policiais. Faixas e cartazes também foram utilizados como munições para chamar atenção de quem passava pela via. Muitos motoristas buzinavam e gritavam palavras de apoio quando passavam pelo grupo. O grupo usou cadeiras de praia para bloquear a entrada principal da unidade, que fica na Rua Dr. Alfredo Backer, no Alcântara. Apoiadores da causa também ajudaram os manifestantes cedendo barracas de sol, tendas, água potável, frutas e sanduíches.

Como aconteceu em Niterói, quatro policiais militares foram conduzidos para dentro do batalhão, por oficiais da própria unidade, o que gerou revolta nos manifestantes. “Alguns policiais foram revistados injustamente por estarem apoiando a causa. Mesmo que não participando, do outro lado rua olhando a movimentação, eles foram detidos no batalhão e coagidos pelos majoritários. Uma vergonha”, comentou uma esposa de militar que preferiu não se identificar.
1 - IMG_9597Durante o bloqueio houve tumulto quando alguns militares deixaram o serviço e saíram da unidade. Eles foram bloqueados pelo grupo, em sua maioria de mulheres, mas contornaram a situação e foram embora, fato que revoltou os manifestantes. Um caminhão-tanque também foi impedido de entrar no 7º BPM para abastecer as viaturas. “Estamos unidas nessa luta que não é só nossa. A causa é importante e temos que chamar atenção de todo mundo para o que esses guerreiros estão vivendo dentro e fora dos batalhões. Os salários, e o décimo terceiro, estão atrasados. Estou sem comida em casa e meus dois filhos estão na casa da avó para poderem almoçar e jantar todos os dias. Isso é inaceitável”, esbravejou a dona de casa Kelly Nunhes, 36 anos, esposa de policial militar lotado no Rio.

O aposentado Menezes, conhecido com nome de guerra Madruga Guerreiro, de 54 anos, é pai de dois policiais e também aderiu à causa dos filhos. “Essa ação é para valorização da profissão. Quem trabalha parcelado? Reconheço a dificuldade do Estado, mas essa crise não foi proporcionada pela Polícia Militar. Eles correm risco de vida, usam coletes fora da validade, munições velhas e dirigem viaturas sucateadas. Essa manifestação não é por salário e sim por dignidade”, explicou.

Por medo da violência aumentar no município alguns pais não levaram as crianças para as escolas. É o caso da dona de casa Márcia Faria, de 42 anos, que preferiu não deixar suas duas filhas irem para a aula no Ciep Brizolão 122 Profª Ermezinda Dionizio Necco, no Jardim Miriambi.

O comandante do 7º BPM (São Gonçalo), coronel Ruy França, se limitou a dizer que o policiamento na cidade não foi prejudicado e que foi montada uma estratégia para as trocas de plantões acontecerem na rua e não na sede do batalhão, como de costume. Em uma rua nos fundos do batalhão, três viaturas estavam paradas e os militares aguardavam ordens do comandante para entrarem ou não na unidade. Eles também foram direcionados ao Batalhão de Polícia Florestal, no Colubandê, para poderem almoçar. Ao todo trabalham 870 policiais militares no batalhão, que possui 105 viaturas.

Itaboraí
De acordo com informes policiais, embora a circulação de muitos boatos sobre a suposta paralisação de policiais militares do 35º BPM, a população de Itaboraí e localidades próximas praticamente não sentiram essa ausência. Desde a madrugada guarnições se posicionaram em pontos estratégicos, não dando chance para qualquer tipo de ação promovida por criminosos na região.

Na entrada da cidade de Rio Bonito, por exemplo, também sob jurisdição do 35º BPM, policiais se posicionaram e marcaram presença, o mesmo ocorrendo com relação aos pontos de patrulhamento rotineiro em horário rush. Também nos locais mais distantes sob cobertura do batalhão, na cidade de Silva Jardim, policiais se mantiveram a postos, o mesmo ocorrendo em Tanguá, Cabuçu e no Centro de Itaboraí, na Avenida 22 de Maio, nas imediações da garagem da Viação Maravilha.

Fontes policiais também informaram sobre a situação tranquila junto às sedes das Companhias e do Batalhão. Até o fim da tarde de sexta-feira nenhum registro de anormalidade ligada a ato de protesto de familiares de PMs alterou a rotina dos militares em serviço.

Estado
Nas 40 unidades operacionais da Polícia Militar do Estado, em 27 acontecem manifestações, porém apenas em cinco a situação está tensa. Em quatro unidades, há bloqueios que impedem a entrada e saída de carros: nos batalhões do Méier (3º BPM), Tijuca (6º BPM), Mesquita (20ª BPM) e Campo Grande (40º BPM).O batalhão de Volta Redonda, no Sul Fluminense, é o que teve a maior adesão.

“O balanço é positivo pelas circunstâncias, quero agradecer ao profissionalismo da PM, colocando a segurança pública em primeiro lugar. A manifestação, embora por causa justa, não interferiu na vida das pessoas. Os comandantes dos batalhões pernoitaram nas unidades. Temos a manifestações em 27 unidades, sendo que o patrulhamento não foi prejudicado. É importante dizer que os policiais não estão desassistidos, vamos ultrapassar essas dificuldades. Quero tranquilizar a PM e a população”, finalizou Roberto Sá, secretário de Segurança do Estado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *