Tempo perdido no trânsito dá prejuízo de R$ 24 bi na Região Metropolitana

O tempo que os trabalhadores brasileiros levam no deslocamento casa-trabalho-casa, todos os dias, não provoca apenas perda do tempo em que se poderia passar com a família, como gera prejuízo ao país. O Sistema Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) divulgou nesta quarta-feira (31) estudo que aponta que três milhões de pessoas gastam, em média, 2h21min no trajeto de ida e volta do trabalho. Gerando um prejuízo de R$ 24,3 bilhões. Esse é o custo dos deslocamentos das pessoas que levam mais de 30 minutos no trajeto casa-trabalho-casa., a chamada produção sacrificada. Em Niterói, as pessoas levam 131 minutos (ou 2h11min).

O estudo analisou 19 cidades com base em dados de 2013 – últimos disponíveis, mostra o que deixa de ser produzido devido aos mais de 30 minutos perdidos nesses deslocamentos. Em 2013, em Niterói, 139.050 trabalhadores levavam, em média, 131 minutos no trajeto de ida e volta ao trabalho. Em 2011, eram 136.736 e em 2012, 131.316. Em 2011, gastavam 122 minutos. Além disso, o custo de deslocamento era de R$ 882 milhões em 2011. Em 2013 saltou para R$ 1,119 bilhão, impactando em 5,6% do PIB municipal. Em 2011, o impacto era de 5,1%.

Das cidades do Leste Fluminense, Maricá é a que apresentou o tempo de deslocamento maior. Foram 154 minutos (2h34min) em 2013, contra 141 minutos (2h21min) em 2011. O custo do trajeto no PIB local saltou de R$ 176 milhões em 2011 para R$ 406 milhões em 2013. Eram 24.801 pessoas levando mais de 30 minutos no trajeto e em 2013, passou para 26.978.

Itaboraí apresentou tempo de deslocamento 149 minutos em 2013, contra 137 em 2011. O número de pessoas levando mais de meia hora de viagem era 50.208 em 2011 e passou para 53.766 dois anos depois. O custo no PIB local saltou de R$ 175 milhões para R$ 307 milhões e o impacto, de 5,2% a 6,1% no período.

Em 2011, São Gonçalo tinha 280.465 trabalhadores levando mais de meia hora para ir ao trabalho. Dois anos depois, já eram 292.279. O tempo gasto no trajeto subiu de 129 para 139 minutos. O custo no deslocamento era R$ 787 milhões e pulou para R$ 961 milhões. O impacto foi de 6% a 6,8% no PIB.

Para Riley Rodrigues, gerente de estudos de infraestrutura da Firjan, o impacto está relacionado às pessoas que moram no Leste Fluminense e trabalham no Rio. “Isso acaba afetando. Muitos passam por Niterói, através da BR-101 e da Alameda São Boaventura. O custo no PIB é a produção sacrificada. Quando a pessoa passa a acordar mais cedo para trabalhar descansa menos, se estressa no trânsito e chega ao trabalho cansada, e assim, produz menos. O estudo sugere melhorias no sistema de transporte, acompanhadas de reordenamento territorial. É preciso que se invistam no desenvolvimento das cidades para que as pessoas consigam trabalho mais perto de casa”, observou.

O frentista Sérgio Luiz, de 22 anos, mora no bairro de Vista Alegre, em São Gonçalo e trabalha no Centro de Niterói. “Levo meia hora para ir, à tarde, e uma para voltar, à noite. São quase duas horas. O transporte público poderia melhorar. Colocar metrô, por exemplo”, sugeriu.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *