Tecnologia limpa em competição de barcos na enseada de São Francisco

A enseada de São Francisco, em Niterói, está recebendo o Desafio Solar Brasil (DSB),até 22 de março. A cerimônia de abertura aconteceu na tarde desta quarta-feira (16) e contou com a presença do prefeito Axel Grael, do secretário do clima, Luciano Paez, e dos professores Felipe Ador e Walter Issamu Suemitsu.

O secretário municipal do Clima, Luciano Paez ressaltou que o evento começa justamente no dia Nacional de Conscientização das Mudanças Climáticas e trazer para Niterói só reforça o quanto a cidade se preocupa com a temática. “O evento mostra toda a questão da mobilidade que pode ser sustentável sim e não é de hoje que esse evento acontece. O desafio sola iniciou em 2009 e de lá para cá muitas coisas avançaram e nós gostaríamos de colocar Niterói dentro do desafio solar. Temos tudo para dar certo. A cidade tem um histórico de vela, temos a baía e diversos iates que fazem um trabalho bem legal. Diversas instituições de ensino. Teremos uma programação muito ambiciosa com eventos paralelos contando com a participação da Fundação de Artes de Niterói e Secretaria de Cultura e a Neltur que nos tem dado apoio e diversos outro parceiros. Hoje é o início e a gente finaliza no dia 22, data em que se comemora o Dia Mundial da água com algumas atividades importantes”, comentou.

O diretor do Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social (Nides) da UFRJ, Felipe Ador falou da emoção de ver todo esse processo para a realização do evento depois de dois anos de pandemia. “Foi muito legal ver os alunos ocupando novamente os espaços da universidade e ver equipes de todo o Brasil construindo ali o ensino, a pesquisa e extensão com uma qualidade profunda. Quero agradecer o esforço de toda a equipe e dos estudantes que se dedicaram para esse evento acontecer. Esperamos fortalecer ainda mais a parceria e trazer para Niterói tudo o que desenvolvemos”, disse.

Walter Issamu Suemitsu coordenador geral do Desafio Solar e professor da UFRJ agradeceu a todos que se dedicaram e lembrou do professor Luciano Amorim, fundador e organizador que faleceu em 2012. “É uma alegria muito grande. Ficamos dois anos parados. Eu me lembro que na época do Luciano ficamos desmotivados se parassémos, não voltaríamos mais. Nós conseguimos apoio e realizamos em Búzios e depois continuamos em diversas cidades. É um prazer voltar a fazer com essa parceria de Niterói. Esse evento não é só uma competição de barcos solares, divulgar essa noção de sustentabilidade, a questão dos paineis solares e todo um conceito por trás”, relatou.

O prefeito de Niterói Axel Grael lembrou o primeiro Desafio Solar realizado na cidade e da motivação do professor Fernando Amorim em realizar esse evento. “Nós temos em Niterói toda uma tradição de ações na área de sustentabilidade e pioneira em diversos aspectos. Esse tema faz parte de um pacote de medidas que iremos colocar em prática. Niterói é uma cidade metropolitana bem no coração e temos a oportunidade de ter mais de 50% do território protegido por unidades de conservação. A cidade tem avançado no tema da sustentabilidade e outro tema é o de cidade inteligente. Temos investido e queremos ainda mais. Esse evento integra essas duas áreas importantes. Mostrar algo do cotidiano das pessoas”, finalizou.

O velejador e campão olímpico Lars Grael comentou a importância desse vento voltar para Niterói depois desse tempo afastado. “Niterói é uma cidade que está na vanguarda em relação a políticas climáticas, gerando viabilidade. A energia solar hoje é uma realidade tecnológica. E esse desafio mostra a viabilidade de produzir energia para navios, aeronavaes, lanchas e cada um trás uma tecnologia de um canto do país e isso é prioridade na cidade. Fico muito feliz”, comentou.

As 14 equipes com barcos movidos a energia solar estão competindo em mais uma etapa do evento. O objetivo é desenvolver tecnologias para o uso de energia solar em embarcações e ainda compartilhar as soluções.

Durante uma semana, as equipes vão disputar o melhor desempenho e domínio sobre a montagem e construção de embarcações movidas a energia solar, estratégias de competição, organização e gerenciamento energético.

O Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social da UFRJ – NIDES e a Secretaria do Clima de Niterói são responsáveis pelo evento, que reúne estudantes universitários e de cursos técnicos.

Trabalhando no projeto do barco movido a energia solar desde 2020, a equipe de estudantes da Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (EFOMM), do Rio, está competindo com um barco do tipo catamarã, que teve o apoio da UFRJ e da Escola Técnica do Arsenal de Marinha (ETAM).

Professor orientador da equipe de 14 jovens do curso de Formação de Oficiais da Marinha Mercante, José Roberto Pereira explica que cada equipe deve obedecer às especificações da competição no desenvolvimento dos projetos.

Presidente do Grêmio de Ciência e Tecnologia, Drexler Nunes Nascimento Paulo, 23 anos, contou animado que desde antes da pandemia o grupo começou a trabalhar no projeto do barco e só agora pôde ver o sonho concretizado. Ele e os colegas se uniram na manhã da quarta-feira para os últimos preparativos antes do barco ir pra água.

Visitas – Até o dia 22 qualquer pessoa que quiser pode participar do evento visitando a área do paddock, montado na Praça do Radioamador para conhecer as embarcações e participar da programação de atividades de extensão, palestras e exposição de vídeos sobre o tema.

Colaboração: Flávia Ribeiro

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