Teatro da UFF apresenta a peça ‘Frida Kahlo – A deusa tehuana’

O monólogo livremente inspirado no diário e na obra da pintora mexicana está em cartaz até o dia 5 de junho no Teatro da UFF. Ela foi a maior paixão do líder comunista Leon Trótski, que fugiu para o México perseguido por Stalin.

Frida teatralizou a sua própria existência, foi a expressão maior de luta e superação mesmo trazendo consigo as maiores dores – físicas e existenciais. No lugar do luto, vestiu-se de cores.

Com direção de Luiz Antônio Rocha e atuação de Rose Germano, o monólogo “Frida Kahlo – A deusa tehuana, é livremente inspirado no diário e na obra da pintora mexicana, fragmentos da vida e do pensamento de uma mulher à frente do seu tempo. Nesta encenação, diretor e atriz desconstruíram o mito, para revelar o uma Frida humana, bem diferente da figura pop na qual foi transformada pela grande mídia no mundo inteiro.

O monólogo, que este ano de 2022 completa oito anos em cartaz, percorreu cidades pelo país como Salvador, Fortaleza, BH e SP com grande sucesso de público e crítica, além do reconhecimento internacional na sua estreia no RJ, com destaque no principal Jornal do México “El Universal” e na TV Mexicana.

A montagem do espetáculo foi longa e incluiu uma viagem de Rose e Luiz Antônio ao México, visitando a cidade do México, Oaxaca, Teothihuacan, na qual encontraram a Frida que queriam montar. A pintora que transformou a dor em arte estava despida para dar vida à deusa tehuana.

“Tudo o que é óbvio sobre Frida, eu excluí da dramaturgia. Queria justamente algo que não estivesse nos registros oficiais da história, que mergulhasse no sentimento mais profundo de uma mulher que queria ser mãe e não conseguiu, que era frágil e, ao mesmo tempo, forte e determinada. Colocamos o inédito, o que as pessoas sequer imaginam, como a sua relação com os médicos e a descoberta da colecionadora de arte Dolores Olmedo”, adianta Luiz Antônio Rocha.

Ao falar sobre o que a inspirou a viver Frida Kahlo no teatro, Rose comenta que “há uma similaridade entre as culturas mexicana e brasileira, especificamente a nordestina, em que estão as minhas raízes. Sou de Riacho do Meio, uma cidadezinha do interior da Paraíba. Foi aí que me inspirei, nesse povo guerreiro, nas histórias de mulheres cheias de vida e coragem.” E sobre porque reviver Frida hoje, Rose diz que “a importância de reviver essa história está na autenticidade da mulher à frente do nosso tempo. Frida é a desmedida das coisas, está fora dos padrões estabelecidos. Viver Frida é encarar a vida e a morte com a mesma grandeza.”

Em cena, Rose Germano é acompanhada pelo músico Eduardo Torres, que toca violão e realejo. O título do espetáculo é uma referência de uma mulher à frente do seu tempo Enquanto as mulheres de seu tempo seguiam as tendências europeias, Frida optou por um traje essencialmente mexicano. Exaltando a sua cultura, vestia-se de Tehuana, traje típico da região de Istmo de Tehuantepec no México, local onde as mulheres indígenas dominaram o mercado, lutando pela igualdade de direitos com os homens. Frida Kahlo adotava o vestido tradicional de Tehuana como uma declaração de solidariedade com estas mulheres. Sua luta e autenticidade a tornou um mito em todo o mundo.

Todas as peças que compõem o figurino do espetáculo são autênticas, compradas em antiquários e artesãos indígenas da cidade de Oaxaca.

Serviço

Sábados às 20h; domingo às 19h

Ingressos a R$ 50 e R$ 25 (meia-entrada), na bilheteria do Centro de Artes UFF, ou pelo site www.guicheweb.com.br/centrodeartesuff

Endereço: Rua Miguel de Frias, 9, Icaraí – Niterói – RJ

Prédio da Reitoria da Universidade Federal Fluminense

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