TDAH: o distúrbio que deixa a mente funcionando a mil por hora

A necessidade de fazer tudo ao mesmo tempo, agora. É assim que se sente uma pessoa com Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade. Um transtorno que causa diversas reações incômodas e características que atingem inúmeras pessoas ao redor do mundo. As manifestações começam na infância, mas se não forem identificadas e tratadas podem transportar este tipo de patologia para a vida adulta do ser humano. É o que mostram alguns estudos sobre o tema.

Cerca de 60% das crianças com TDAH ingressam na fase adulta apresentando alguns sintomas do distúrbio. No entanto, a identificação não é tão fácil, pois os sintomas se confundem com outros diagnósticos. Mas ganham destaque situações marcadas pela desatenção, inquietude e impulsividade. Fatores determinantes para o fechamento do diagnóstico.

A gerente de loja, Tathiane Mendonça, de 36 anos, mãe do Pedro Miguel, de 6, conta que percebeu que o filho precisava de uma atenção especial quando chegou em casa do trabalho e ele chorou dizendo que não queria ir mais para a escola porque as outras crianças riam dele só porque não conseguia realizar as tarefas do mesmo jeito que eles.

“Eu já tinha percebido que meu filho era muito agitado. Ele sempre se mexia muito e corria sem parar, não prestava atenção nas coisas. Não obedecia ninguém, brincava o tempo todo na sala de aula, entregava as provas em branco, não trazia os recados, parecia indisciplinado. Era muito distraído e esquecido, não lembrava nem se tinha ido para a escola. Um dia eu cheguei do trabalho, ele sentou comigo no sofá e chorou muito dizendo que não queria ir para a escola. As outras crianças implicavam porque ele só sabia rabiscar e não conseguia pintar. Como mãe, aquilo me doeu profundamente, mas precisei engolir o choro e garantir que meu filho tivesse uma vida onde ele se sentisse acolhido”, conta.

Tathiane Mendonça e o filho Pedro Miguel

É normal que a criança ou o adulto deixe trabalhos pela metade, interrompa no meio o que está fazendo e comece outra coisa, só voltando ao trabalho anterior bem mais tarde do que o pretendido ou então se esquecendo dele. Ou seja, não existe finalização para o que se inicia.

A psicanalista Andréa Ladislau diz que é muito importante estar atento aos sinais para conseguir classificar corretamente o transtorno e tomar as medidas adequadas para garantir o sucesso na busca do equilíbrio da mente e do corpo, reduzindo assim, a manifestação tão dolorosa desse distúrbio.

Os principais sinais de que um adulto possa estar vivendo uma atmosfera tocada pelo TDAH são: instabilidade profissional; rendimento abaixo da capacidade intelectual; falta de foco e atenção; dificuldade de seguir rotinas; desorganização; dificuldade de planejamento e execução das tarefas propostas; procrastinação; ansiedade diante das tarefas não estimulantes; dificuldades nos relacionamentos; relacionamentos instáveis; frequente alteração de humor; frequentes esquecimentos com perdas e descuidos para datas e reuniões importantes; dificuldades para expressar suas ideias e colocar em prática o que está pensando; dificuldade para escutar e esperar a sua vez de falar, fala muito e ouve pouco; frequente busca por novas coisas que o estimulem, não estão satisfeito com nada; intolerância a situações monótonas e repetitivas.

Andréa Ladislau é psicanalista. Foto: Reprodução/Site oficial

“A maior dificuldade é entender os seus próprios desejos, expressá-los e nomear sentimentos e emoções. Além disso, esse indivíduo sofre com alguns efeitos colaterais importantes para a identificação do problema, como: Insônia severa, gastrites intensas, nervosismo frequente, diminuição do apetite e cefaleias constantes e cada vez mais fortes”, explica.

O desequilíbrio físico e mental provocado pelo TDAH pode ser controlado e monitorado através da terapia. Segundo Andrea, com a ajuda de um profissional de saúde mental adequado, o trabalho da psicoterapia consiste em construir nesse adulto uma relação mais saudável e equilibrada na execução das atividades, assim como uma melhor compreensão de suas emoções e a redução das cobranças inconscientes.

“A melhor maneira de controle do transtorno é provocando a presença fiel da tolerância à frustração. Isso fará com que sejam minimizados os efeitos nocivos da ansiedade, auxiliando o autocontrole físico e emocional de quem sofre com essa patologia”, completa.

Tathiana diz ter dificuldades em fazer com que a instituição onde o filho estuda trate o caso dele como de inclusão, mesmo após a apresentação de um laudo comprovando o transtorno.

“Ele precisa de atividades curtas, que prendam a atenção. Quando isso não acontece, ele não para quieto. Eu já conversei, já expliquei, mas a escola parece não estar interessada em enturmar ele com as outras crianças. Por isso, sei que meu filho não é mais bem-vindo lá. Estou buscando outra instituição. Mas, no momento, até por conta desse diagnóstico, foi a única em que consegui vaga”, lamenta a mãe.

Andrea alerta os pais para que busquem ajuda profissional

“Ao menor sinal de que uma criança possa estar sofrendo deste transtorno, busque ajuda profissional e controle a ação da patologia, para que não aconteça o transporte do TDAH para a vida adulta desta criança. Se tratado no tempo correto, o distúrbio pode ser eliminado e os prejuízos amenizados, favorecendo o equilíbrio mental e físico através do tratamento correto”.

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