Taxistas de Niterói pedem fim do Uber na cidade

Texto Wellington Serrano

Os taxistas de Niterói fizeram uma manifestação ordeira ontem à tarde na Praça da República, em frente à Câmara de Vereadores, contra o aplicativo Uber e para cobrar um encontro com o prefeito da cidade Rodrigo Neves (PV). Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Motoristas Autônomos do Estado do Rio de Janeiro (Sindtaxis), José Felix, a principal reivindicação dos motoristas é impedir o funcionamento do aplicativo na cidade.

“Isso não é justo. Os taxistas pagam muitos impostos para conseguir rodar com o seu carro nas ruas, enquanto o aplicativo fica livre de taxas, facilitando e justificando o preço mais baixo. Estamos sendo roubados, todos nós taxistas. Pagamos muitos tributos, somos cobrados com inspeções anuais e muitos de nós ainda pagam diárias para rodar, tudo conforme a lei”, lamenta José Felix.

A advogada das cooperativas de táxis e transportes em Niterói, Simone Carvalho Torres, disse que o setor recolhe cerca de R$ 8 milhões só de Imposto Sobre Serviço (ISS). “E aí do nada vem o Uber e recruta motoristas, às vezes até sem habilitação, sem pagar nada ao governo e ainda querem que aceitemos isso? Quem usa o aplicativo contribui para a ilegalidade”, ressalta a advogada.

Os manifestantes estenderam faixas na Praça da República e também usaram um carro de som e fogos de artifício para o protesto. A Central Sindicalista Brasileira (CSB) patrocinou cerca de 100 camisas para os motoristas com a seguinte frase: “Atenção poder público!!! Se o transporte não é legalizado, é clandestino. Taxistas pedem o seu apoio. Fiscalizem”. Por conta da manifestação, houve retenções no trânsito na Avenida Amaral Peixoto, na altura da Câmara. Dois vereadores, Leonardo Giordano (PCdoB) e Paulo Eduardo Gomes (PSol), conversaram com o grupo.

“Acompanho a luta da classe, inclusive fui o autor da Lei da Data Base em Niterói, as reivindicações são importantes e vou ajudar na defesa deste trabalhador porque apoio a pauta. Vamos, através de iniciativas pacíficas, realizar audiências públicas. Vou fazer o pedido nesta semana para termos uma discussão que tem que ser feita em cima de acordo com a justiça”, ressalta Giordano.

Para o taxista Paulo Vieira há muita demanda por transporte particular na cidade. “Então, muitas pessoas da Baixada, São Gonçalo e Maricá vêm trabalhar aqui. Estão tirando nossos passageiros e não pagam impostos. Há dois anos era possível faturar R$ 400 por dia. Agora, tem dia que não dá para tirar nem R$ 80”, afirma ele.

Os taxistas que estavam em protesto contra o Uber farão hoje a doação de alimentos arrecadados durante a manifestação para o Abrigo Cristo Redentor, em São Gonçalo.

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