Suspeitos são mortos em confronto no acesso a Ponte Rio-Niterói

Augusto Aguiar –

A rotina de trânsito intenso e congestionado nos principais acessos à Ponte Rio-Niterói se transformou num pesadelo na manhã de ontem (20) em Niterói, quando policiais militares do 12º BPM (Niterói) e criminosos fortemente armados se enfrentaram, numa intensa troca de tiros, que resultou em seis mortos, três presos e quatro fuzis – sendo um modelo AK-47, de fabricação russa, e outro equipado com mira telescópica – além de pistolas e quatro granadas apreendidas. Dois veículos roubados (um deles com placa clonada) foram recuperados.

A perseguição seguida de confronto ocorreu no acesso à Ponte Rio-Niterói vindo de uma das principais vias de escoamento do trânsito em direção ao Rio, a Alameda São Boaventura, que atravessa a Zona Norte da cidade. O congestionamento que se seguiu, inclusive com interdição da via, se estendeu por vários quilômetros e refletiu em diversas vias adjacentes.

Até o fim da manhã de ontem, agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) apuravam versões para esclarecer a ocorrência. Entre elas a de que bandidos vindos do Complexo da Maré (Vila dos Pinheiros), na Zona Norte do Rio, estariam em Niterói para praticar arrastões na Alameda São Boaventura, em dois carros (um Honda HRV, com placa de Honda Civic, e um Jeep Renegade). No momento em que retornavam para a comunidade carioca foram perseguidos e interceptados no acesso à Ponte. A outra hipótese investigada seria a de que um grupo criminoso teria ido a uma festa do tráfico em São Gonçalo, ainda no domingo e, ao passar pela Alameda São Boaventura praticou roubos a transeuntes. O ponto em comum para as polícias Civil e Militar foi que pelo menos nove bandidos fortemente armados estavam nos dois carros interceptados e, durante o confronto, seis foram baleados, quatro morreram no local e dois após darem entrada no Hospital Estadual Azevedo Lima, no Fonseca. Outros três comparsas, também baleados, foram internados sob custódia. Um sargento da Polícia Militar foi atingido na perna e uma mulher também foi baleada no confronto. Também em meio a troca de tiros, um ônibus da Viação Fagundes (Alcântara/Botafogo) foi atingido por pelo menos 14 disparos, sendo quatro no para-brisas, e o restante na lateral, momento em que a mulher se feriu.

“Quando acessava a Ponte percebi que um dos carros teria sido bloqueado e os bandidos engataram a marcha ré, tendo início o confronto. Bandidos se abrigaram embaixo do ônibus, de onde atiraram contra os policiais”, afirmou o motorista do coletivo, Marco Antônio de Jesus Silva.

O acesso à Ponte Rio-Niterói chegou a ser interditado por cerca de uma hora e meia, para que o local fosse periciado pela Polícia Civil, o que causou muitos transtornos para motoristas e passageiros que seguiam para o Rio e com reflexos no deslocamento para o Centro de Niterói. No coletivo da Viação Fagundes havia cerca de 40 passageiros e um deles foi atingido por estilhaços no pé, medicado e já teve alta. Uma terceira hipótese surgiu à tarde, apontando que os bandidos estariam retornando de um baile funk no Complexo da Alma, no Jóquei, em São Gonçalo. No encontro de criminosos estariam sendo traçados planos para expansão de uma facção criminosa (TCP) em Niterói.

Retaliação – Na manhã de ontem um ônibus que passava pela Linha Amarela, na altura da Favela da Maré, foi incendiado. Havia a suspeita que o ataque teria sido uma retaliação às operações realizadas no Rio com vários mortos e às “baixas” ocorridas em Niterói, entre eles a de um criminoso conhecido como Carrapato, líder dos pontos de venda de drogas de umas das comunidades que compõem o Complexo da Maré (a Vila dos Pinheiros). À tarde havia informações de que entre os baleados estavam criminosos conhecidos, além de Carrapato, Jacaré, Drogba, China e Caloi, mas os agentes ainda não sabiam informar qual deles teria ficado ferido e qual havia morrido. Todos oriundos do Complexo da Maré.

Operação no Rio – Até o fim da manhã de ontem, as Forças de Segurança já haviam totalizado pelo menos mais cinco mortes durante uma megaoperação no complexo de favelas do Alemão, da Penha e da Maré. Um militar também morreu no início da tarde de ontem. O informe foi do Comando Militar do Leste (CML). A megaoperação contou com a participação de mais de quatro mil homens das Forças Armadas e das polícias Civil e Militar. Veículos blindados e aeronaves deram suporte às ações.
Militares do Batalhão de Ações com Cães (BAC), da PM, apreenderam mais de 200 quilos de drogas na comunidade Nova Holanda, no Complexo da Maré. Foram realizados cercos para remoção de barricadas, além de revistas a veículos e suspeitos. Na mesma operação policiais também vasculharam as comunidades para cumprir Mandados de Prisões contra foragidos. A operação pegou muita gente de surpresa e houve relatos de confrontos, o que impediu muitos trabalhadores de sair de suas casas. Escolas também suspenderam suas aulas pela manhã. Na sexta-feira passada, os militares também fizeram uma operação no Complexo do Alemão e retornaram no domingo.
No início da tarde, um militar do Exército morreu após ser baleado durante um dos confrontos. Outro ficou ferido. Essa é a primeira baixa de um agente desde o início da intervenção federal no Rio. O militar ferido foi atendido no Hospital Central do Exército (HCE), em Benfica, na Zona Norte.

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