Surfistas da pandemia

A canalhice é uma iguaria presente no cardápio da elegante barbárie que define a descivilização brasileira. O sujeito, com a caneta inflada de poder (caneta cheia vale mais que fuzil carregado), acorda bem cedo (canalha acorda cedo porque a luz da alvorada lembra ouro), senta na beirada da cama, olha para o pijamão e pensa “eu hoje vou me dar bem”.

Foi assim que milhões de brasileiros reagiram, reagem e vão reagir a explosão da pandemia mais nefasta da história de Pindorama desde que Cabral ouviu o terra à vista na caravela e caiu de boca na bacorinha da primeira índia que apareceu. Em acampamentos como o Brasil (nação não é isso), tragédias e desgraças servem para “eu hoje vou me dar bem”.

Os vírus do poder adoram um fim de mundo porque decretam estado de calamidade pública ou de emergência, sinal verde para eles mergulharem no dinheiro público sem dar satisfações a ninguém.

Primeiro veio a enxurrada de dinheiro com hospitais de campanha, álcool, luvas, milhões, milhões, milhões e para a felicidade deles o desespero só aumentou e quanto maior desespero maior as cachoeiras de grana liberadas por Brasília. Uma meia dúzia de quatro ou cinco foi em cana, já saiu e hoje exibe tornozeleiras eletrônicas, novo sinal de status no não mais seleto clube da orgia federal, estadual, municipal. Para melhorar a vida do degenerado está rolando a maior confusão com as vacinas. Desinformação, falsa incompetência, falsa crise de gestão e logística para que? A confusão, a desinformação e suas parentes próximas servem como luva para a instauração do caos que vira cortina de fumaça para mais roubalheira. É tudo de propósito. Não existe fatalidade em terra de ladrões.

O sujeito entra no carro inglês de R$ um milhão, durante a alvorada, barbeado, loções francesas, cabelinho molhado, gravata italiana, terno inglês da Oxford Street, sapato italiano e lê o seu mantra no terminal de mídia: “Eu hoje vou me dar bem”.

Atrasar vacinação é um bom negócio pra larápios porque provoca ágio e, simulando desespero, muitos gestores públicos pagam, seis vezes mais, embolsando 12 vezes mais, sem questionamentos. Os larápios abrem o jornal indignados quando veem gente furando fila; prefeitos, parentes de prefeitos, vereadores, governadores e….povo também. “Povo moleque, desumano, furando a fila dos velhinhos.”

Os surfistas da pandemia podem ser tudo, menos povo. Todos os privilégios nacionais, estaduais e municipais foram mantidos para as suas castas. Ficar em casa, na rua, na fazenda, ou numa casinha de sapê, por exemplo, com o dinheiro quicando generoso na conta no final do mês. Já o povo teve o auxílio emergencial ceifado porque o capitão diz que só tem dinheiro para os seus. Povo é farrapo, povo é lacaio, povo fede. Por isso, torci para o anti-herói do filme “O Tigre Branco” (está na Netflix) do início ao fim. O capitão tem razão. O povo tem que pegar em armas e partir pro pau mas parece que esse tipo de assunto não é de bom tom na terra do “hoje eu vou me dar bem”.

P.S. – Capitão, parabéns. PT e toda a sua corriola e centenas de pessoas de todos os poderes da república tentaram por anos destruir a Lava Jato para continuar roubando a céu aberto. O senhor sentou no trono, enfiou o procurador geral amigo de fé, irmão camarada, que em dias destruiu tudo. Não temos mais Lava Jato. Tá okey?

P.S. 2 – Gosta de rock? Inaugurada a RADIO LAM. Para ouvir clique aqui: https://radiolam.wixsite.com/24horas

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