Superintendente do Hospital Antonio Pedro entrega carta de renúncia

Professores, funcionários e estudantes voltaram a depositar seus votos para o cargo de Reitor da Universidade Federal Fluminense na próxima semana, entre os dias 11 e 13 de julho. No entanto, o segundo turno entre os candidatos da Chapa 1 e 3 ficou movimentado no início desta. A renúncia de Tarcísio Rivello, superintendente do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP), foi o que motivou isso tudo.

Na segunda-feira, o atual reitor e candidato a reeleição pela Chapa 1, Antônio Claudio Lucas de Nóbrega recebeu uma carta de renúncia de Tarcísio. Nas redes sociais, Nóbrega agradeceu pelos 16 anos de serviço do superintendente, onde esteve a frente do HUAP durante o mandato de três reitores. Além disso, destacou a dedicação de Tarcísio à saúde pública, principalmente pelo enfrentamento no meio da crise da pandemia da Covid-19.

A reportagem tentou entrar em contato com o reitor por telefone e mensagem para saber se há um nome para substituir, mas não obteve resposta. Em nota, a UFF informou que havia um acordo para o superintendente deixar o cargo em novembro deste ano. Contudo, em acordo com o reitor Antônio Claudio Lucas de Nóbrega, decidiu se desligar do hospital de forma antecipada. Além do mais, a universidade garantiu que “estabelecerá um processo de transição sobre a gestão do Hospital, que envolverá a comunidade acadêmica, sobretudo os servidores do HUAP”.

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Entretanto, a carta entregue por Tarcísio Rivello foi contestada por alguns setores da UFF. Em comunicado do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal Fluminense (Sintuff), a renúncia é contestada pela aparência e o formato do texto, principalmente “devido ao uso de fontes tipográficas distintas e ao fato do diretor ser tratado hora na primeira pessoa, hora em terceira pessoa”, diz.

O questionamento vai de encontro com a opinião do ex-reitor Roberto Salles, da Chapa 3. De acordo com o candidato, a renúncia parece ser uma demissão forçada, e lamentou o fato de ter ocorrido no meio de um processo eleitoral.

“Ele (Tarcísio), deve ter sido pego de surpresa com a carta, pois parece que não foi escrita por ele. A EBSERH não cumpre o contrato, a empresa está fechando leitos. O reitor está escorraçando-o com essa demissão forçada. Foi lamentável, e num período eleitoral. Além disso, outras ações que o reitor tem feito no período eleitoral. Vergonhoso”, disse. Salles também complementou dizendo que há irregularidades no contrato assinado com a empresa.

“Há várias cláusulas e, entre elas, deveria haver contratações e abertura de leitos. Hoje tem 120 leitos. No sexto e sétimo andar tem enfermarias fechadas. E isso dificulta o estudo de alunos que são residentes. O reitor quis endireitar isso por causa de uma animosidade que existia com o superintendente, e exonerou ele” denunciou.

SEGUNDO TURNO MOVIMENTADO

Há menos de uma semana para o pleito decisivo que escolhe o cargo de maior relevância na UFF, os acordos estão sendo costurados. Ainda em conversa com Roberto Salles, ele confirmou que desde o resultado do primeiro turno, conversas foram realizadas. O candidato da Chapa 3 disse que uma parte do grupo que apoiou a Chapa 2, encabeçada por Wilson Madeira, esta caminhando com Salles no segundo turno.

“Nós estamos muito otimistas com o apoio que estamos recebendo, como do Movimento Democrático Universitário”, também garantiu.

Para a reportagem, o candidato da Chapa 2, que acabou sendo derrotado nas urnas, mas teve apoio expressivo de alunos da universidade, confirmou que alguns articuladores externaram suas preferências a Chapa 3. Entretanto, ressaltou que a sua Chapa não firmou compromisso oficial com ninguém.

“Embora a Chapa 2 oficialmente não tenha apoiado nenhuma outra, e por conseguinte nem eu e nem Wladimir ficamos eticamente autorizados a externar preferências, parte expressiva dos articuladores de nossa campanha, em especial aqueles voltados à defesa dos direitos dos técnicos-administrativos, da pauta das 30 horas e das críticas a EBSERH, já manifestaram sim diversas notas de apoio a Roberto Salles”, disse.

Foto: HOSPITAL virou o centro das movimentações políticas na UFF – Divulgação

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