Sudeste concentra 37% dos endividados no país

Geovanne Mendes

Em tempos de crise o comércio é o primeiro a sentir os impactos de um consumidor que perdeu sua fonte de renda, através do desemprego, ou aqueles que devido ao aumento nos preços dos alimentos definem prioridades na hora de quitar ou colocar em dia as suas contas. A certeza é uma só: alguém vai ficar sem receber, aumentando e muito o número de inadimplentes.

O segurança Lucas Guidson, de 21 anos, sabe bem o que é ficar com o nome sujo na praça. Há anos ele vem tentando quitar dívidas com cartão de crédito, lojas de móveis, supermercado, por isso hoje a tática é comprar tudo à vista para não ver crescer ainda mais o número de credores.
“Estou devendo há muito tempo. É muito difícil ficar em dia com as contas, porque nos últimos três anos tudo ficou desregulado em nosso país e os preços subiram. Hoje só compro à vista, meu objetivo é não dever para mais ninguém e um dia conseguir quitar todas as minhas dívidas”, desabafou.

O motorista Renato Ferreira da Silva diz que está com o nome negativado nos órgão de proteção ao crédito há um ano e culpa a economia do país por essa desorganização de suas contas.”O país está em crise, tudo pela hora da morte. Impossível ficar sem dever, infelizmente. O desejo é conseguir em 2017 quitar as minhas dívidas”, concluiu.

Toda essa instabilidade financeira atinge todos os brasileiros e os números só comprovam as teorias de que vivemos um momento de dificuldades e endividamento da população. Pelo menos é o que confirma uma estimativa elaborada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), na qual o Sudeste concentrou o maior número absoluto de inadimplentes em janeiro: são 24,2 milhões de consumidores negativados, o que representa 37,3% da população adulta entre 18 e 95 anos na região. A inadimplência no comércio do Rio cresceu 1,9% em janeiro em relação ao mesmo mês em 2016. Foi o maior índice desde 2009, segundo o Serviço Central de Proteção ao Crédito do CDLRio.

Para driblar a crise e evitar a inadimplência dos seus clientes, uma loja de roupas infantis de Icaraí decidiu não utilizar mais o cheque como forma de pagamento, uma vez que era grande o número de clientes que emitiam cheque sem fundos durante as compras.

“Decidimos há uns três anos não vender mais no cheque, pois o número de cheques sem fundos era muito grande. Hoje, a nossa clientela já entendeu o motivo de só aceitarmos cartões de crédito, débito ou dinheiro. Inclusive, damos descontos de 5% para quem paga em espécie, uma forma de fidelizar ainda mais o cliente”, explicou a gerente Diana Moreira.

Em Niterói a CDL não tem número de pessoas negativadas no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), assim como o próprio órgão de proteção não tem dados por cidades.

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