Subnotificação prejudica trabalho de combate à violência doméstica

A pandemia do coronavírus provocou o fechamento de serviços e estabelecimentos e, com o isolamento social, a violência doméstica se agravou. A Prefeitura de Niterói realiza trabalho de atendimento aos públicos vulneráveis, através da Coordenadoria de Direitos da Mulher (Codim), para mulheres, e dos Conselhos Tutelares, no caso de crianças.

Desde o início do isolamento, órgãos governamentais e organizações da sociedade civil vêm monitorando as informações sobre violência contra a mulher. Em março, a Coordenadoria de Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública do Rio apontou um aumento de 50% nos casos de violência doméstica no estado durante o período de isolamento em razão da pandemia causada pelo Covid-19.

De acordo com a coordenadora da Codim, Karina de Paula, a adoção de medidas de prevenção à contaminação por Covid-19 alterou o horário de funcionamento dos serviços de atendimento à mulher, gerando o aumento das subnotificações. Casos passaram a ser percebidos a partir da mobilização de vizinhos, familiares e organizações sociais que buscaram, nas redes sociais e nos canais de atendimento remoto, expor e denunciar episódios de violência doméstica, além de apoiar mulheres a romper com essa situação

“Ao longo do período de isolamento, a Coordenadoria, através do Ceam, prestou atendimento de forma remota, por ligação, chamada de vídeo ou mensagem – como ficasse melhor para as usuárias. Ao longo desse tempo, disponibilizamos todos os contatos e fizemos uma campanha virtual pelo site da prefeitura, redes sociais, parceiros da rede de atendimento (Juizado, Defensoria Pública, Deam – Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher). Percebemos que a procura nesse período foi baixa. Entretanto, quando retomamos o atendimento, de forma gradual, em alguns dias a procura foi maior, porém ainda não conseguimos avaliar o quantitativo dessa demanda. Nos meses de março e abril, nosso canal de atendimento recebeu diversas denúncias de vizinhos que eram orientados a chamar a Polícia Militar. Muitos vizinhos relatam gritos, mas não conseguem identificar de onde vem. O desafio da equipe é pensar estratégias de como identificar o local onde essa mulher que está sofrendo a violência e denunciar”, explica Karina.

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