Sóstenes Cavalcante: está havendo uma desmoralização das instituições, o que é muito ruim para a democracia

O deputado Federal reeleito com 94.203 votos, Sóstenes Cavalcante (DEM), é o entrevistado da vez em A Tribuna. Ele que foi diretor de Ministério do polêmico pastor Silas Malafaia na Igreja Evangélica Assembleia de Deus também não teve papas na língua na hora de falar de sua história, sobre o convite em 2013 do seu pastor para enfrentar os parlamentares do PT na Câmara Federal.

Na conversa, ele fala da renovação do Congresso, disse que está havendo uma “desmoralização das instituições”, o que é muito ruim para a democracia, e ressaltou que, atualmente, trabalha para a reeleição de Rodrigo Maia para a presidência da Câmara Federal.

Líder estudantil e cara pintada durante o impeachment do presidente Collor, Sóstenes decidiu ser candidato a deputado em 2014, pelo PSD. Ainda no primeiro mandato, devido a legenda ter ficado neutra no impeachment da presidente Dima Rousselff, Sóstenes aproveitou a janela partidária e foi para o Democratas. “Primeiro mandato você tem que ser um aprendiz de deputado, mas graça a Deus, eu entendia os trâmites e sob orientação dos meus lideres, votei contra a Dilma, para investigar o Temer nas duas vezes e para cassar o Eduardo Cunha”, declarou.

Sóstenes disse que sempre procurou fazer um mandato limpo. “Não tenho acordo com quem é corrupto. Se o político se sujar na questão ética e moral não conte com meu apoio. Nunca tive um processo judicial na vida. Tenho minha ficha e vida limpas nem processo trabalhista, que é uma coisa comum, eu tive”, realçou.

Sobre sua reeleição, Sóstenes disse que enfrentou uma eleição dura devido ao efeito Bolsonaro que “surpreendeu a todos”. Satisfeito no DEM, o parlamentar disse que no momento trabalha para reeleger, em primeiro turno, Rodrigo Maia como presidente da Câmara dos Deputados. Sobre as eleições no Senado, ele disse que está tudo indefinido. “Não subestimo o Cid Gomes que está fazendo um blocão sem o PT e o MDB, mas ali a presidência está nas mãos de duas pessoas dentro da minha ótica: ou a Simone Tebet (MDB) e o Renan com a presidência da CCJ; ou Davi Alcolumbre do DEM. Um dos dois deve ganhar, pois com os 80% de renovação que tivemos não votam no Renan”, analisou.

BOLSONARO — “Torço para que dê certo, mas até agora o relacionamento com o Congresso não está bom. Vamos esperar a posse em 1 º de fevereiro talvez mude algo, mas tenho dúvidas. Essa história da nova política e de não poder haver o toma lá dá cá, que até agora não entendi. Para Bolsonaro e os ministros, os parlamentares são bem-vindos para tomar cafezinho, mas se for assim a gente vai sair porque não se consegue conversar sobre a base. Bolsonaro precisa resolver se ele quer governar com os partidos sendo de sua base de governo. Acho que não, ele deve governar com um novo modelo que o Brasil desconhece. Ele precisará conversar com os líderes na Câmara e no Senado”, lamentou.

NOVO MANDATO — Sóstenes disse que neste novo mandato vai se aproximar do interior do Estado do Rio de Janeiro, porque, desde o mandato anterior, conheceu a realidade dos 92 municípios do Estado.

“Conheci bastante a realidade e o grande desafio é reforçar a politica municipalista. Acho que isso só vai mudar com o Pacto Federativo onde os impostos que são pagos nos municípios fiquem, pelo menos em grande parte, nos próprios municípios para mudar essa realidade e ter uma atenção rápida para a saúde. Enquanto nós vivermos a lógica da concentração dos recursos dos nossos tributos na mão dos executivos em Brasília e daqueles engravatados dos ministérios que não decidem nada continuaremos a ver o desperdício do dinheiro público”, concluiu.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

16 − 15 =