Sobrevivência em meio à selva de pedra

Raquel Morais

Obras, prédios, casas, muros e até uma pedreira apresentam uma peculiaridade: árvores e plantas estão crescendo nesses espaços, ditos urbanos, em Niterói. Em cada espacinho de terra, as plantas conseguem germinar e florescer, e biólogos e paisagistas explicam esse ‘fenômeno’, que em alguns casos enfeitam a cidade. As aves contribuem para esse reflorestamento em meio à selva de pedra, além do vento e até mesmo da ação do homem.

O biólogo Rafael Fernandes, de 34 anos, explicou que essas plantas são chamadas, em sua maioria, de herbáceas, com caule mais flexível. “Elas podem ser dispersas pelos animais, como as aves, ou mesmo pelo vento. Por isso que acaba tendo a possibilidade de germinação em edificações, prédios e marquises. Essas construções têm umidade e acabam promovendo a entrada de nutrientes, que se mantém por algum tempo”, explicou.
Questionado sobre uma possível adaptação da natureza em meio a tantas edificações, o biólogo foi taxativo. “Esse é um progresso natural. Elas não querem nascer ali, e isso é ocasionado. Não existe uma relação pela falta de ambiente em espaço urbano e a germinação em espaço inapropriado”, completou o também professor da Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

A bióloga especializada em botânica, Renata Albuquerque, reforçou que isso acontece porque a planta encontrou nesse local uma maneira de se desenvolver, então ela vai utilizar o que está disponível para sua sobrevivência. “As plantas de muro, por exemplo, necessitam de um apoio para seu crescimento. Antes usavam outras plantas para isso. Com a urbanização, adaptaram-se aos muros, onde elas conseguem obter os recursos necessários para sua sobrevivência. A verdade é que todas essas plantas que são encontradas convivendo e sobrevivendo em meio a cimentos e concretos possuem características que as tornam mais resistentes às condições a que são submetidas”, pontuou.

A paisagista Rayra Lira Araújo frisou que a arquitetura urbana tem sido repaginada com essas espécies. “As pessoas não fazem questão da retirada delas, pois é incrível olhar para elas na parede de cimento e ver um tipo de plantação. Não importa se é apenas uma planta, um jardim vertical ou uma árvore. O importante é ter esse refúgio no dia a dia”, relembrou.

Rafael Fernandes explicou que, dependendo da espécie da planta, esse crescimento pode causar algum transtorno. “Se for de porte grande isso pode gerar algum desconforto, até mesmo quebrando parte do concreto, mas depende da espécie”, finalizou.

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