Sintuff se mostra contrário à privatização do Morro do Gragoatá

Wellington Serrano –

Os docentes e estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFF ganharam um importante apoio na briga pela não privatização do Morro do Gragoatá. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal Fluminense Sintuff) disse estar de acordo com a posição apresentada pela direção da Escola de Arquitetura e Urbanismo, que sugeriu transformar a área num parque ecológico, voltado para o turismo, lazer e pesquisa, dada a riqueza natural e importância ambiental da área.

O sindicato não entende o sentido de se abrir mão de uma área nobre e de preservação ambiental e critica a construtora de querer depredar a região. “Num acordo irresponsável e desvantajoso para a UFF, para a cidade e para a população de Niterói, que só beneficia a especulação imobiliária”, afirmou em resposta para A TRIBUNA. O sindicato disse ter sido pego de surpresa e lamentou a decisão do reitor Sidney Mello ao definir a concessão de um terreno valioso para a construtora Planurbs S/A numa mera canetada, na semana passada, em acordo firmado durante uma audiência na 4ª Vara Federal.

“No próprio Conselho Universitário, a vice-diretora da Escola de Arquitetura e Urbanismo mostrou um projeto brilhante que vem sendo feito, com sucesso, no sentido de reflorestar a área. Pelo visto, na pressa de entregar a valiosa área para uma construtora, o reitor sequer checou os trabalhos que a universidade vem desenvolvendo na área”, ressaltou a entidade de classe.

O termo também é assinado pela empresa Girassol Incorporadora. Contudo, o Ministério Público Federal (MPF) alerta que existe outra ação tramitando na 3ª Vara Federal, para avaliar se o terreno é de preservação ambiental. Segundo o alerta do MPF, nenhum acordo poderia ser assinado antes desta sentença.

O terreno é mais extenso que o campus da Praia Vermelha, com cerca de 55 metros de altura e 60 mil metros quadrados, e está em litígio judicial ao longo das últimas décadas, após ter sido desapropriado pelo governo federal em prol da universidade, 40 anos atrás. O interesse do setor imobiliário é erguer um condomínio habitacional de oito prédios de seis andares e área de lazer privativa.

O reitor Sidney Mello teria justificado não haver necessidade de consulta à comunidade por se tratar de uma decisão administrativa.

Durante última reunião do Conselho Universitário (CUV), a vice-diretora da Escola de Arquitetura e Urbanismo, Louise Land Bittencourt Lomardo, apresentou um slide relatando todos os malefícios para a cidade, sua população e o meio ambiente. Segundo a vicediretora, a área é classificada pelos especialistas como não-edificável. A construção poluiria a visão da cidade em vários pontos e a altura das edificações propostas as tornariam espaços afetados pela poluição sonora, devido ao tráfego aéreo e os prédios trariam enormes prejuízos para o meio ambiente, devido ao papel que esta reserva cumpre na purificação do ar, entre outros benefícios.

Em contraponto à entrega da área, a vice-diretora apresentou a proposta de transformar a reserva num parque ecológico, tendo como finalidade o turismo e o lazer dos habitantes e visitantes. Ao longo da sessão do Conselho, inúmeros conselheiros se pronunciaram veementemente contrários à cessão deste terreno e questionaram a posição do reitor de não levar o tema ao debate no Conselho. Muitos conselheiros questionaram a desistência do reitor Sidney Mello em lutar pelo terreno, tendo em vista que todos os antecessores lutaram pela preservação da área sob tutela da UFF.

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