Sindicatos dos Metalúrgicos e Estaleiros entram na Justiça Federal contra a Petrobras

Wellington Serrano

Em defesa da garantia dos empregos no país e da legislação brasileira o Sindicato Nacional da Indústria de Construção Naval (Sinaval) e a Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM/CUT), apresentaram, ontem, à Justiça Federal do Rio de Janeiro ação que pede a suspensão das licitações para as construções de FPSOs de Libra e Sépia para a unidade de processamento de gás natural (UPGN) do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Os sindicalistas lamentam as mudanças na política de conteúdo local propostas pelo governo do presidente Michel Temer (PMDB) o que pode implodir a indústria naval brasileira, segundo eles.

“Vamos recorrer à justiça para garantir o emprego dos brasileiros. Não dá para jogar na lata do lixo o que foi conquistado há 13 anos. O governo junto com a Petrobras estão descumprindo várias conquistas da nossa legislação”, reclamou Sergio Bacci, vice-presidente do Sinaval. A Petrobras que havia anunciado o primeiro leilão para construção de navios e plataformas para ontem adiou para o próximo dia 30, segundo o sindicato.

A Petrobras afirma que o projeto de Libra depende da aprovação do pedido de waiver (renúncia de direitos legais ou interesses) para a unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência (ou FPSO – Floating Production Storage Offloanding System), que está sendo licitada para ser instalado no primeiro módulo do projeto de partilha e espera contar somente com empresas estrangeiras. E é este ponto que os sindicalistas questionam na justiça.

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Edson Rocha, cerca de 65% dos empregos no setor vão para fora. “Vamos combater o pedido de waiver. E, para barra esse ataque, a Confederação, junto com o Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e o Sinaval, tem interesse nessa ação para o fortalecimento da indústria nacional, manutenção do conteúdo local com geração de emprego, renda e investimentos no Brasil”, apontou o sindicalista.

Segundo Santos, o objetivo é fazer com que o governo entenda que o conteúdo local é também uma questão social e garanta o fomento da indústria de navipeças, o setor de siderurgia e gera milhares de empregos diretos e indiretos.
Ele acrescenta que os trabalhadores estão preparados para construir grandes embarcações em larga escala. “Temos uma mão de obra muito qualificada e estaleiros prontos para produzir. Necessitamos dos investimentos no país para voltar a alavancar o setor. O conteúdo local deve ser encarado como uma política de Estado e não apenas de governo”, conclui.

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