Sindicato tenta evitar greve dos Rodoviários

O Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) teme que o aumento do preço do óleo diesel agrave ainda mais a crise dos rodoviários no Estado do Rio de Janeiro. Em abril uma negociação salarial será iniciada com representantes das companhias no Leste Fluminense para evitar que os trabalhadores de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Tanguá iniciem uma paralisação.

As reivindicações feitas pelos rodoviários em uma série de assembleias que aconteceram em outubro do ano passado são:

Aumento de 4%, cesta básica de R$ 320,00, cofres em todos os pontos finais para recolhimento do dinheiro das passagens, manutenção das cláusulas da atual Convenção Coletiva, 2% de comissão para motoristas que exercem a dupla função.

“Os trabalhadores estão com seus salários defasados e amargando uma onda de demissões que, ano passado, nos 13 municípios de nossa base de atuação, chegou a 3.539 chefes de família que foram para o olho da rua. A projeção da inflação oficial é de 4,5% ao longo dos últimos 12 meses. Os alimentos estão encarecendo a cada dia. Tudo isso irá pesar ainda mais nas costas dos trabalhadores e da população, pois, sem reajuste salarial, a categoria tende a cruzar os braços”, alerta o presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira.

Com o reajuste, os passageiros sofrerão impacto direto já que o item representa até 25% do total de custos no cálculo da tarifa de transporte. A Fetranspor divulgou nota para informar que o setor irá entrar em um “esgotamento financeiro” com o reajuste no preço do óleo diesel.

“Pelo que se entende, nas entrelinhas do comunicado da Fetranspor, qualquer negociação de reajuste salarial para os rodoviários será inviável. Porém, inviável é o trabalhador chegar a um ponto em que terá que pagar para trabalhar, pois seu salário já não irá garantir o sustento de sua família”, opina Rubens.

O Sintronac disse em nota que “prefeituras e estados devem milhões às empresas pelo repasse das gratuidades. Somente no Rio de Janeiro, em valores de março do ano passado, o Estado devia R$ 179 milhões às viações, dinheiro que ajudaria a socorrer o setor durante o período de isolamento social e retração econômica, causados pelo Covid-19”.

Quanto a vacinação dos rodoviários, que foram incluídos no grupo prioritário do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, o presidente do sindicato diz que a categoria está sendo ignorada.

“Até o presente momento, não obtivemos uma linha sequer de resposta quanto a reivindicação de que os rodoviários precisam se vacinar. Isso é prova de que nós trabalhadores estamos renegados à própria sorte se não nos unirmos num só coro para buscar nossos direitos. Por isso que a trincheira do trabalhador é o sindicato, legitimamente representado, que jamais esmorecerá nessa nobre missão de satisfazer aos anseios de uma categoria tão aviltada por todos. A luta continua”, conclui Rubens Oliveira.

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