Sindicato diz que greve dos rodoviários não está descartada

Encerra, nesta terça-feira (31), o prazo estabelecido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) para que rodoviários e empresas de ônibus cheguem a um acordo sobre o reajuste salarial da categoria. De acordo com o Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac), até o momento, a entidade ainda não foi procurada pelas empresas para dar início às negociações. Os rodoviários reivindicam um reajuste salarial de 8%, aumento de 10% no valor da cesta básica e na ajuda de custo para aquisição dos uniformes profissionais.

Segundo o Sintronac, esses percentuais integram o cálculo de reposição das perdas econômicas dos trabalhadores rodoviários nos últimos dois anos, uma vez que a última convenção coletiva ocorreu em novembro de 2019. De acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em 1º de novembro de 2019, quando ocorreu a última data-base dos rodoviários, o custo da cesta básica no Rio de Janeiro era de R$ 455,37, comprometendo 45,62% do salário-mínimo em vigor na época. Atualmente, em valores de junho deste ano, a cesta básica chegou a R$ 619,24, que corresponde a 56,29% do poder aquisitivo dos trabalhadores desta faixa salarial.

As negociações salariais entre rodoviários e empresários foram suspensas em 2020 como consequência da pandemia do coronavírus. Em assembleia realizada na sede do Sintronac, em Niterói, os trabalhadores entenderam que as companhias sofreram prejuízos significativos com as medidas de isolamento social e restrição das atividades econômicas e de lazer, adotadas pelos governos na época. Por isso, precisavam de apoio para que não entrassem em falência. No entanto, o diálogo deveria ser retomado este ano, antes da data-base de 1º de novembro, na medida em que determinados setores da sociedade voltassem a funcionar, o que está ocorrendo, inclusive com o retorno das atividades nas escolas.

Segundo o presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira, “até agora o que a categoria recebeu foi um sonoro não e portas fechadas. De fato, a situação está se complicando”, conclui o presidente, que não descarta uma possível greve da categoria, caso as negociações não evoluam.

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