Sinais inteligentes que param o trânsito

Marcelo Macedo Soares –

Uma pesquisa divulgada em março deste ano pela 99, aplicativo de mobilidade urbana, apontou Niterói como a cidade mais engarrafada do Brasil. Segundo o estudo, realizado em dezembro de 2017, as viagens na cidade nos horários de pico levam, em média, 78% a mais de tempo do que aquelas em situação de tráfego livre. Para se ter uma ideia, o Rio de Janeiro ficou em oitavo lugar. Como se não bastasse a enorme frota de 291.869 veículos – segundo dados de abril do Detran –, a má utilização dos chamados sinais inteligentes contribui ainda mais para o trânsito caótico.

A falta de sincronia e a enorme diferença entre os tempos em que os sinais abrem e fecham são claramente percebidas em algumas ruas do Centro. Em certos cruzamentos, mesmo fora do horário do rush, motoristas precisam ter paciência para esperar a luz verde, e ainda mais atenção para conseguir passar por ela. Com isso, congestionamentos são rotinas em algumas vias.

Um dos sinas mais demorados é o da esquina da Rua Coronel Gomes Machado com Avenida Marquês do Paraná. Com isso, a estreita rua paralela à Avenida Amaral Peixoto, já prejudicada pelo estacionamento permitido nos dois lados em grande parte da via, fica constantemente engarrafada. Na tarde de ontem, por volta das 16h30min, a reportagem de A TRIBUNA levou 7 minutos e 23 segundos para percorrer os aproximados 700 metros do trecho entre a Maestro Felício Toledo e a Marquês do Paraná, onde é permitido o tráfego de automóveis.

Muitas irregularidades, como carros parando para embarcar ou desembarcar passageiros, motos acima da velocidade, entre outras, atrapalham ainda mais o trânsito. Ao chegar no sinal, mais espera. Ele fica fechado por dois minutos e 22 segundos, e apenas 57 segundos aberto. Ou seja, os veículos têm menos de um minuto para atravessar um dos cruzamentos mais perigosos da cidade.

A situação é ainda pior no cruzamento da mesma Marquês do Paraná com a Rua Djalma Dutra, em frente ao Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap). Menos de 100 metros, ou 97 passos, separam a “plebeia” Djalma Dutra dos marqueses de Olinda e do Paraná. Para percorrer este pequeno trecho, nosso carro levou longos três sinais fechados, 8 minutos e 22 segundos. Ali o tempo em que o sinal abre e fecha é no mínimo, curioso.

A luz vermelha fica acesa por 3 minutos e 2 segundos, enquanto a verde, apenas rápidos 18 segundos. Este também é o tempo que os pedestres têm para atravessar as duas pistas da Marquês do Paraná para chegar ao Huap. O tempo só não é mais curto do que o que leva o segundo carro da longa fila para buzinar para que o primeiro ande.

Procurada para explicar o funcionamento dos sinais e apontar possíveis soluções para o problema, a Prefeitura de Niterói não retornou os contatos da reportagem de A TRIBUNA.

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