Simulador de trânsito continua no alvo das discussões

Raquel Morais –

A questão sobre a obrigatoriedade do uso de simulador de trânsito, para aula noturna, continua em discussão entre proprietários dos Centros de Formações de Condutores que têm o equipamento eletrônico, os que não têm e até mesmo os futuros motoristas. O medo de dirigir à noite, comum entre quem está aprendendo a dirigir, somado a insegurança e aumento de crimes na cidade, acabam favorecendo o uso do simulador pelos alunos dentro dos estabelecimentos.

A Lei nº 543/2015 foi uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que passou a valer em 2017, porém algumas ações judiciais suspenderam essa exigência. “Optei pelo simulador mesmo com esse assunto ainda não totalmente definido na justiça. Acho que deveria ser opcional para o aluno, pois tem alguns que já sabem dirigir na rua e gostariam de pular essa etapa. Mas quem não sabe nada de direção esse é um bom caminho para a base desse futuro motorista. Enquanto empresário eu acho ótimo e tenho que ter todas as opções para formar bem o meu aluno, já que ele é o motorista que estará na rua amanhã”, comentou Yuri Piotr, proprietário da Flex Autoescola, em Icaraí.

Um aluno que preferiu não se identificar chamou atenção para os índices de criminalidade de Niterói, principalmente no turno da noite. “Se quem já sabe dirigir é pego de surpresa com assaltos, por exemplo, imagino quem não sabe dirigir. Estamos em um período muito complicado e o instrutor também fica muito exposto ao lado de um aluno que tem pouco domínio do trânsito. Eu quero usar o simulador para treinar bastante”, opinou.
A universitária Letícia Monteiro, de 24 anos, disse que não sabe nada de direção, mas que por ela, pularia a fase do simulador. “Eu queria aprender logo na rua e ter essa emoção e alegria. Acho que o simulador deve ser muito chato pois é igual um videogame e não traduz a realidade da rua”, explicou.

Segundo o Grupo Tecnowise, especializado em tecnologias para o trânsito, as funções desses equipamentos são idênticas as de veículos convencionais (pedais, retrovisores, câmbio, chave de partida, setas, etc). Então, além das aulas práticas nas ruas, o aluno conta também com este recurso de uma forma mais segura. Ao final de cada aula o instrutor pode emitir o relatório do simulador com todos os erros de condução e legislação, isso ajuda o aluno a reforçar os pontos de atenção e ter um melhor preparo. “Na prática, funciona. Inclusive, vários estudos estão sendo desenvolvidos aqui no Brasil demonstrando uma melhoria no índice de aprovação e na taxa de sucesso nos primeiros exames”, finalizou Roberta Torres, especialista em segurança e saúde no trânsito.

De acordo com a lei, quem está em busca da CNH, na categoria “B”, deverá ter no mínimo 20 aulas práticas sendo cinco aulas no simulador. O equipamento eletrônico reproduz algumas situações como chuva e baixa visibilidade, por exemplo.

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