Simbolismo que pode salvar vidas

Anderson Carvalho –

As irmãs Simone Coutinho de Oliveira, de 34 anos, Cristina, 39, e Fabiana, 38, que perderam a mãe Nair Coutinho dos Santos de Oliveira, de morte cerebral, aos 64 anos, em fevereiro, estavam emocionadas nessa sexta-feira (30), na cerimônia de lançamento da edição especial do Cartão do Doador de Órgãos, oferecido pelo Programa Estadual de Transplantes (PET), da Secretaria de Estado de Saúde. A arte dos cartões foi feita por 12 grafiteiros e o ator global José Loreto. O lançamento ocorreu no Hospital Estadual Alberto Torres, no Colubandê, em São Gonçalo.
“Não aceitamos no início. Mas, o médico veio conversar com a gente e depois nos reunimos e resolvemos aceitar. A nossa mãe, antes de morrer, já tinha falado que desejava doar os órgãos. Porém, para a gente foi difícil. A sensação por um lado é boa, pois nós sabemos que outras vidas estão sendo salvas. Por outro lado é estranho, pois não sabemos quem recebeu os órgãos. Queríamos saber como estão”, comentou Simone. Nair teve os rins e o fígado doados.

O subsecretário estadual de Assistência em Saúde, Charbel Khouri, explicou que doar órgãos é importante para salvar outras vidas. “Esse projeto começou há muito tempo. O PET foi criado há sete anos. O maior empecilho é a resistência de algumas famílias, que mesmo o parente falecido tenha comunicado antes o desejo de doar, não quer fazê-lo. São dois lados. Um é de uma pessoa que é amada e precisa viver e outra, dos parentes de alguém que foi muito amado”, contou Khouri, lembrando que a primeira doação no estado ocorreu em 2009, de uma criança de 6 anos, no hospital.

Na cerimônia havia 10 famílias de pessoas que tinham doado os órgãos dos parentes falecidos. Elas receberam exemplares dos cartões e uma rosa branca. No final, plantaram mudas de jasmim no Jardim do Doador, nos fundos do hospital, que foi criado em 2014 pelo psicólogo da unidade, Luiz Antônio Silva, o cantor Luiz Ferrar. “Um gesto que é a ressignificação da vida”, explicou Luiz.

A previsão do PET é que o ano de 2017 tenha o melhor saldo de cirurgias desse tipo desde que foi criado. Até agosto, foram realizados 966 transplantes no estado. No ano passado todo, foram 1.128. O grande campeão por enquanto é o transplante de córnea, procedimento que já teve uma fila de espera de 10 anos e cuja média de espera atual é de oito meses. Entre janeiro e agosto foram realizados 576 transplantes de córnea, mais que todo o ano de 2016, quando foram feitos 575. Só em agosto foram realizados 106 transplantes de córnea, o antigo recorde mensal era de 96 cirurgias. Entre janeiro e agosto foram realizadas nove cirurgias de transplante de coração, mesmo número do ano passado. Os números de transplantes de rins também são significativos. No ano passado, até agosto, foram 233 procedimentos. Este ano, no mesmo período, foram 234.

A legislação brasileira determina que apenas parentes diretos de pacientes com diagnóstico de morte encefálica têm o direito de autorizar a doação de órgãos e tecidos. Não há nenhum documento que possa ser deixado em vida para garantir que a doação ocorra após a morte.
Entre os presentes estavam ainda Gabriel Teixeira, coordenador do PET.

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