Silva Jardim é a cidade com mais apagões do Estado

Raquel Morais

Um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), divulgado ontem, apontou a frequência das interrupções de energia de todos os municípios leste fluminenses. O Rio de Janeiro foi um dos que ficaram com maior tempo sem energia, 25 horas no escuro, sendo a média nacional de 15 horas, de acordo com o “Retrato da Qualidade da Energia no Estado do Rio de Janeiro”. Em Niterói os problemas com fornecimento de energia elétrica são inúmeros e a população não cansa de reclamar dos serviços prestados. De acordo com o relatório, a cidade ficou mais de 16 horas sem energia. O estudo, elaborado com base em indicadores da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), aponta ainda que, em média, o tempo sem fornecimento no Leste Fluminense, desde 2011, aumentou 19,26%.

Ainda de acordo com o relatório, Niterói é o município que obteve a melhor situação em termos de horas sem energia dos municípios da região: 16,83 horas. Silva Jardim apresentou os piores índices de qualidade em 2016, tendo ficado 44,10 horas sem energia. Niterói ainda apresentou menos interrupções de energia quando comparado aos demais municípios da região, tendo sido 9,82 em 2016.

São Gonçalo teve 17,96 horas sem luz, logo abaixo de Niterói. Teve 10,60 interrupções de energia. Itaboraí teve 19,42 horas sem energia e 11,44 quedas de luz. Já Maricá ficou 25,08 horas sem luz e 12,77 blecautes.

Árvores que se embolam na fiação, constantes oscilações e quedas de energia, chiadeiras em transformadores e demora no atendimento. Esses foram alguns dos problemas mencionados pelos niteroienses. Por exemplo, na Rua Fagundes Varela a oscilação de energia preocupa os moradores. “Quando chove ou venta muito a energia fica muito fraca”, comentou uma moradora que não quis se identificar.

Na Geraldo Martins, no Jardim Icaraí, quando venta os fios e transformadores fazem um barulho de tipo curto circuito. “É tipo uma chiadeira e é só ventar mais forte que ficamos sem energia”, explicou o porteiro Paulo Ramos, de 68 anos. Na Domingues de Sá tem muita árvore que se embola com os fios de energia, e também foi apontado que as soluções para os problemas são muito demoradas. Já na Rua Miguel de Frias, em frente a Universidade Federal Fluminense (UFF), são constantes os reparos nos transformadores. No Barreto, na Rua Dr. March, praticamente todos os dias, por volta das 18h, uma pequena e rápida queda de energia pega os moradores ‘não mais de surpresa’.

A Enel informou que investiu R$ 1,7 bilhão em 2015 e 2016 nos 66 municípios atendidos pela concessionária, principalmente na modernização da rede elétrica. Em Niterói e Maricá, o valor investido pela companhia entre 2015 e 2017 já ultrapassa os R$ 130 milhões: em comparação com o ano de 2015, a companhia alcançou 27% de melhora em 2016 no indicador DEC (que representa o tempo médio das interrupções de energia) e uma redução de 13% no tempo médio de atendimento pelas equipes de emergência.

Em relação às localidades mencionadas pela reportagem, a Enel esclarece que tratam-se de ruas arborizadas, onde a companhia tem atuado com o serviço de podas dos galhos que estão próximos à rede elétrica. Além disso, a companhia tem instalado equipamentos de proteção da rede e substituindo parte da fiação. Na Rua Miguel de Frias, por exemplo, recentemente a distribuidora instalou novos cabos de energia, mais protegidos e resistentes ao contato com galhos e objetos. Apenas em 2016, a distribuidora executou 106.533 podas de árvores próximas à rede elétrica, com o objetivo de reduzir interrupções de energia por contato com a fiação. A Enel também instalará 3.100 novos equipamentos que protegem a rede contra sobrecargas, curtos-circuitos e contra descargas atmosféricas, e está instalando cerca de 500 equipamentos telecomandados, que permitem identificar à distância e minimizar possíveis falhas de fornecimento, agilizando o serviço e reduzindo a duração da interrupção de energia. Em Niterói, para atender o aumento da demanda de energia, a companhia construirá uma nova subestação em Maria Paula, com a disponibilização de 100 MVA.

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