Acusações e troca de ofensas marcam Sessão da Câmara de Niterói

Marcelo Almeida

A sessão da Câmara de Vereadores terminou em bate boca e ânimos exaltados na noite de quinta-feira (25). Em pauta, estava a inclusão das atividades de educação física como essencial em momentos de medidas de restrição em tempos de pandemia, contudo, uma discussão entre a vereadora Benny Briolly (PSOL) e o vereador Douglas Gomes (PCT) fez com que a pauta fosse votada às pressas para acalmar os ânimos dos vereadores.

Em sua defesa de voto, Briolly aproveitou o momento para fazer uma denúncia sobre uma postagem feita pelo vereador Douglas que fazia acusação contra a sua honra, a quem disse que ele confundia sua liberdade parlamentar com uma legitimidade para se cometer crime. Segundo ela, Gomes não poderia ocupar uma cadeira na Comissão de Direitos Humanos, uma vez que usa suas redes sociais para engrandecer o general Brilhante Ustra, reconhecido torturador dos anos de chumbo da ditadura militar (1964-1985).

Além disso, ela comentou uma publicação do vereador em que ela foi marcada e que ironizou o fato de ela dizer que é oriunda da favela, afirmando que ele tinha “mais de favela que ela de silicone”, atitude que ela classificou como transfóbica. “O que o vereador está fazendo é crime, previsto no STF. É um absurdo que esse vereador seja vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos”, declarou.

“O vereador Douglas, que foi posto como vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, que traz uma arma para dentro dessa casa e faz um post falando que é contra a vacinação. Esse mesmo vereador tem um chefe de gabinete que atirou um rojão contra a companheira Walkiria”, disse a presidente da Comissão dos Direitos Humanos.

Douglas Gomes não recebeu as críticas. “Não me chama de moleque, porque moleque é você. Não sei se tem um problema cognitivo ou não sabe ler”, afirmou em relação ao ponto de vista divergente em relação à atuação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) em sua participação no protesto realizado na RJ-104.

“Faz diversas acusações, filmou? Foi na delegacia? Fez registro de ocorrência? Essa é a ilação que se faz”, afirmou Gomes antes de ser interrompido pelo presidente da Câmara, Milton Cal (PP), pedindo para pôr logo em votação a pauta, ao mesmo tem que outros vereadores pediam calma. “Me chamou de moleque, aí é complicado. Quando é contra mim, ninguém pede trato”, retrucou.

Colega de bancada de Briolly, professor gritou para Douglas: “Segura tua onda”. O vereador do PTC respondeu: “Segura tua onda nada”. Enquanto isso os outros parlamentares seguravam os dois antes que chegassem às vias de fato. Aproveitando uma brecha na confusão, Cal encerrou a sessão.

Após o bate boca no plenário, Benny Briolly soltou uma nota dizendo que foi agredida com transfobia, racismo e quase fisicamente pelo vereador Douglas Gomes, ao qual classificou como fascista. “Foi horrível e doloroso. Chorei, senti medo, senti a dor de ser mulher negra e trans na política”, disse.

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