SES revela perfil de comorbidade por doenças crônicas

Doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e asma são os problemas crônicos de saúde mais associados a notificações, internações, ocupação de leitos de UTI e óbitos por Covid-19 no Estado do Rio de Janeiro. A informação foi divulgada pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES), por meio do relatório “A pandemia de Covid-19 e as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT)”, publicado na última sexta-feira. O documento foi produzido a partir do sistema de vigilância epidemiológica das Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG), que registra todos os casos vinculados às SRAG, inclusive os de Covid-19. Foram analisados dados referentes ao período de 1º de janeiro a 11 de maio de 2020, com classificação final para a doença causada pelo novo coronavírus.

“As doenças crônicas não transmissíveis, que já são reconhecidas como um dos maiores desafios à saúde pública em todo o mundo, tornam-se ainda mais importantes no contexto da pandemia pelo novo coronavírus, pois estão relacionadas ao agravamento da Covid-19”, afirma Eralda Ferreira, coordenadora de Vigilância e Promoção da Saúde da SES.

De acordo com a pasta, em 2019, as DCNT foram responsáveis por mais de 30 mil mortes prematuras – pessoas com idades entre 30 e 69 anos – no Estado do Rio de Janeiro, uma média de 90 óbitos por dia. Agora, devido à relação dessas enfermidades com as complicações da Covid-19, esses números devem aumentar.

Eralda ressalta que a Covid-19 tem muitos fatores de risco em comum com as doenças crônicas não transmissíveis, como o tabagismo, o sedentarismo e a alimentação inadequada.

O documento também avalia o perfil alimentar da população fluminense, por meio de números do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), e mostra o consumo elevado de alimentos não saudáveis – processados e ultraprocessados – em todas as faixas etárias. De acordo com a especialista da SES, este é um ponto de atenção, pois uma dieta rica em produtos industrializados tende a levar à obesidade, condição que é apontada por diversos estudos como um dos fatores de risco para a forma mais grave da Covid-19, inclusive em pessoas mais jovens. No estado do Rio de Janeiro, o maior percentual de óbitos por Covid-19 relacionados ao excesso de peso foi registrado em menores de 60 anos.

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