Servidores da UFF iniciam greve por tempo indeterminado

Anderson Carvalho –

Por ampla maioria, servidores técnico-administrativos da UFF decidiram ontem à tarde iniciar greve por tempo indeterminado durante assembleia geral da categoria realizada no restaurante universitário no Campus do Gragoatá. A paralisação é um protesto contra a decisão de implantar ponto eletrônico em todos os setores da universidade, as mudanças na escala de trabalho no Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap) e pela defesa da jornada de 30 horas, a revogação do contrato com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e concurso público para as vagas ociosas no hospital.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da UFF (Sintuff), a Reitoria se recusa a negociar com os trabalhadores.

“Não tem havido diálogo. Entregamos o nosso plano de negociação na Reitoria. O reitor Sidney Melo está viajando e o vice, Antônio Cláudio da Nóbrega, que será o futuro reitor, está de férias”, contou Carlos Abreu, um dos coordenadores do sindicato.

No próximo dia 16, às 15h, está programado ato dos trabalhadores em frente ao prédio da Reitoria, em Icaraí. A decisão do indicativo de greve foi tomada em assembleia no último dia 2, após ato unificado com os estudantes, que lutam por verba de R$ 1 milhão em emenda parlamentar para assistência estudantil, que UFF até agora não executou. Os servidores tentaram ser recebidos na ocasião pelo reitor, mas este desmarcou a reunião.

De acordo com Pedro Rosa, presidente do Sintuff, as mudanças na escala de trabalho prejudicam quem tem dois empregos.

“A nova portaria flexibiliza a jornada de 30 horas e prejudica os trabalhadores. No Hospital Antônio Pedro, por exemplo, há muitos técnicos de enfermagem que têm dois empregos. Com a escala fixa, isso fica impossibilitado. Além disso, a hora extra deixou de ser paga”, reclamou o dirigente.

Para ele, a implantação do ponto eletrônico contém irregularidades.

“Ele dá 15 minutos de tolerância de atraso no serviço no máximo e se passar disso, o dia é tido como perdido. Também não tem como nós imprimirmos os registros de entrada e saída, que é o nosso direito”, reclamou o sindicalista.

Em nota no site da UFF, publicada no último dia 8, a Reitoria explicou que colocar o ponto eletrônico é para atender decisão judicial proferida pela 4ª Vara Federal de Niterói, em ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal. Pela decisão, do último dia 3, a universidade tem prazo de 180 dias para instalar o controle eletrônico de frequência para os servidores do Huap e 360 dias para os demais funcionários.

Procurada, a Reitoria da UFF preferiu não se manifestar em relação à greve.

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