Servidora do Estado vende móveis para sobreviver

Raquel Morais

A crise do Governo do Estado continua afetando os funcionários públicos e, dessa vez, a niteroiense Eliane Carnevale, de 61 anos, optou por vender os móveis de sua casa para comprar comida e pagar contas. A situação financeira da família está tão ruim que músicos da cidade se reuniram em prol da causa. Neste domingo, das 15h às 19h, no Devassa Icaraí, uma roda de samba com seis músicos vai agitar a cidade e toda renda será doada para a servidora.

Como forma de amenizar a situação, o percussionista Almir Sodré, ao saber da história da amiga, reuniu os amigos e propôs a ação. Pedro Ivo, Monica Mac, Declar Sodré, Hernani Valente e Leandro Júnior vão tocar na roda de samba por quatro horas, com couvert a R$ 10. “Essa é uma situação que milhares de servidores estão passando e apenas estamos tentando ajudar uma pontinha que está sofrendo com essa crise. Isso é um absurdo, mas temos que pensar no próximo e é impossível não se sensibilizar com uma história dessa”, comentou.

Emocionada, Eliane, que mora na Rua Dom Bosco, confirmou o aperto financeiro que está passando desde dezembro. Segundo ela, que é servidora da área da saúde há 39 anos, o décimo terceiro salário de 2016 ainda não entrou na conta. “Desde que começou a crise do Estado eles não estão pagando. Estão me devendo também os salários de abril e maio. Tive que cancelar meu plano de saúde e estou em tratamento por conta de um câncer. Mas estou em uma situação difícil até para comer”, comentou Eliane, que usa muletas para se locomover por conta da poliomielite.

Móveis como cristaleira, mesa, cadeiras e relíquias de família, como taças de cristal, são algumas das peças que já foram vendidas. “Faço isso com muita tristeza e nunca pensei em passar por uma situação dessa”, lamentou.

A Secretaria de Estado de Fazenda e Planejamento (Sefaz) informou que os servidores ativos da Saúde receberam 50% dos salários de abril com recursos próprios. Depois, eles receberam valores individuais, que totalizam R$ 1.700. Sobre a previsão de quitação dos salários, depende do comportamento das receitas. Conforme o ingresso de recursos em caixa, o Estado vem pagando os servidores.

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