Serviço de adestramento cresce durante a pandemia do coronavírus

O período da pandemia do coronavírus está sendo muito utilizado para quem precisa educar os amigos de quatro patas. Os serviços de adestramento estão em alta e professores estão ajudando os cães e os donos a se educarem. Ansiedade, hiperatividade e medo da solidão são alguns sentimentos que os cachorros desenvolvem e podem ser potencializados na pandemia já que eles também acumulam energia com o isolamento social.

O adestrador de cães Guilherme Peixe, de 32 anos, explica que no início da pandemia o serviço de adestramento caiu bastante, devido às dificuldades financeiras de muitas pessoas que perderam os empregos. No entanto, a situação começa a mudar

“Porém, agora, estão retomando. Principalmente porque depois de as pessoas ficarem tanto tempo com os cães, agora muitos estão de volta ao trabalho, os animais estão sentindo. Isso faz com que eles desenvolvam a ansiedade da separação. Eles ficam muito ansiosos quanto estão sozinhos e se tornam, muitas vezes, destrutivos”, frisou.

E como tudo está em processo de adaptação para esse serviço não seria diferente. Assim nasceu o projeto “Socilizacão”. São montados grupos de até 20 cães junto com seus proprietários, em um espaço aberto para evitar a aglomeração.

“Assim a gente passa o ensinamento para os cães e para os donos”, frisou Peixe que faz parte do projeto junto com outros amigos.

Justamente essa educação para os tutores de animais é um dos principais pilares do adestramento. O professor Carlos Sardinha frisa que dificilmente a pessoa sozinha, sem ajuda de um profissional, terá grandes avanços na solução do comportamento indesejado. Ele viu o trabalho crescer nesse período e se em um mês comum ela adestrava dois animais agora esse número saltou para 10, uma alta de 400%.

“O ideal é sempre ter auxílio de um profissional, porque para iniciarmos o adestramento primeiro analisamos todo o perfil da família, o manejo com o qual essa família tem com o cão e traçamos um cronograma de treinamento, buscando solucionar aqueles comportamentos indesejados. Pensando sempre no bem-estar do animal e da família. Digamos que 85%, são problemas criados pelos próprios tutores.”, pontuou.

E esses problemas são muitas vezes imperceptíveis, por exemplo, o hábito de pegar os filhotes no colo em excesso prejudica o animal.

“Quando cresce o cachorro vai querer o que foi aprendido na infância e pula nas pessoas. Um cachorro tendo um manejo correto desde que chegou na residência, não terá problemas de comportamento, ansiedade de separação por exemplo, as pessoas tendem a querer estar sempre próximo dos cães, levando inclusive eles para dentro do quarto, até na hora de dormir o cachorro tem o vínculo sendo alimentado, criando uma dependência. Ai a pessoa sai de casa e o cachorro, que ensinaram a ele ser dependente, não sabe o que fazer sozinho. E ai começa a gerar ansiedade, destruição de objetos e em alguns casos mais graves, até se automutilar”, explicou Carlos.

A Rottweiler Athena, de 8 meses, teve que passar pelo adestramento justamente por esse problema da ansiedade da separação do seu dono, o auxiliar administrativo Breno Carvalho de Souza, de 24 anos.

“Procurei esse serviço pois enfrentávamos problemas de hiperatividade e ansiedade. Ela por ficar sozinha a noite acabava destruindo as coisas da casa e também tínhamos dificuldade em colocá-la no canil. Fechei algumas aulas e na primeira já notei mudanças mas é um processo de continuidade e prática”, contou.

A designer de cílios e sobrancelhas, Verônica Ramos, de 41 anos, aproveitou o período da pandemia, em que estava mais tempo em casa, para educar a sua xodó Cristal.

“Ela fazia as suas necessidades fisiológicas em vários lugares da casa e também tinha o hábito de fugir quando via o portão aberto. Eu amei essa educação que ela ganhou e estou muito feliz”, frisou.

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