Série dinamarquesa sobre política está entre as melhores da Netflix

Foto: a série mostra uma Groenlândia pobre, carente, com risco de sumir. Uma crítica feroz A Dinamarca, dona da ilha.

A série “Borgen – Power & Glory”estreou nova temporada na Netflix e é a mais eletrizantes de todas.

Do criador/escritor e produtor executivo “Adam Price , Borgen – Power & Glory” novamente acompanha ( Sidse Babett Knudsen ), sua equipe e a mídia encarregada de cobri-la, desta vez em seu papel como Ministra das Relações Exteriores.

A série aborda grandes questões políticas, incluindo a relevância do Reino Dinamarquês no mundo moderno, a batalha das superpotências pelo controle do Ártico – e não menos importante, a crise climática.

Quando uma empresa de perfuração de repente descobre petróleo na Groenlândia, marca o início de uma luta internacional pelo poder no Ártico, e joga Nyborg num conflito em que deve aceitar repetidamente que, apesar do relacionamento de ‘irmão mais velho’ da Dinamarca com a Groenlândia, quando se trata das superpotências internacionais.

Outro destaque é a jornalista Katrine Fønsmark (Birgitte Hjort Sørensen). Depois de ser a chefe de imprensa de Birgitte, ela está de volta ao jornalismo e conseguiu um emprego como chefe do departamento de notícias de uma grande emissora de televisão nacional. Ela vive sérios dilemas em relação ao limite de sua autoridade, lacração e calúnias em redes sociais.

João Larani Bo “Borgen comentou que “Borgen: o Reino, o Poder e a Glória” se baseia em  fatos reais. Lembra que o ex-Presidente Trump propôs, em 2019, comprar a Groenlândia. Aborrecido com a falta de interesse da Primeira-Ministra dinamarquesa Mette Frederiksen (a verdadeira PM, a segunda mulher a ocupar o cargo) em discutir a proposta, cancelou abruptamente a visita de trabalho que faria a Copenhagen.

Não foi a primeira vez que os norte-americanos pressionaram a Dinamarca em relação a Groenlândia. Os interesses na ilha vão desde o controle dos acessos estratégicos, que tendem a ficar mais sensíveis com o derretimento das geleiras e o aumento das vias de transporte, ao petróleo – estima-se que o Ártico, onde a Groenlândia está localizada, detenha 13% das reservas de petróleo a serem descobertas no mundo – e às famosas terras raras, minerais imprescindíveis para a moderna indústria microeletrônica.

Rússia e China são os dois grandes rivais, além dos EUA, a atazanar a vida de Birgitte na ficção serial, e também na realidade nua e crua dinamarquesa: espremida entre esses gigantes, lidando ao mesmo tempo com a pressão da população local pela independência política, a Dinamarca equilibra-se como pode.

Birgitte ainda tem que encarar a carência afetiva, conviver com o radicalismo ecológico do filho e, para arrematar, sobreviver às escaramuças dos jogos de poder da política parlamentar, que realçam o melhor e o pior de sua personalidade.

Bo lembra que em março deste ano, a primeira ministra dinamarquesa desculpou-se publicamente a seis representantes inouit, que estavam entre as 22 crianças enviadas a força da Groenlândia para a Dinamarca, em 1951, a fim de tornarem-se groenlandeses “modelos” e unir as culturas dinamarquesa e indígena.

O projeto era arbitrário, e não funcionou. A primeira-ministra disse, constrangida: o que vocês foram submetidos foi terrível; foi desumano, injusto e cruel. Birgitte diria o mesmo, com constrangimento calculado. Vida que segue, e que continua a imitar a arte.

A série é uma continuação independente das temporadas anteriores de Borgen, que foi ao ar pela última vez na televisão em 2013. É produzida pela SAM Productions para a DR da Dinamarca em cooperação com a Netflix.

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