Será a retomada do Comperj?

Wellington Serrano –

Os sindicatos do setor dão como certo a contratação da empresa chinesa Shandong Kerui Petroleum, que teria vencido pelo melhor preço a licitação para retomada das obras da Unidade Processamento de Gás Natural (UPGN), do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí. A Petrobras, no entanto, não confirma a informação e diz que o processo de licitação da UPGN Rota 3 ainda está em andamento e que recebeu quatro propostas comerciais na última segunda-feira (25).

A estatal não falou sobre a abertura dos envelopes e só se limitou a informar que as etapas posteriores envolvem análise de documentos e que a divulgação da classificação e negociação comercial, concluindo com a assinatura do contrato, prevista para o 1º trimestre de 2018.

No entanto, o Sinticom, junto com o sindicato dos Metalúrgicos e os veículos de comunicação voltados para o setor petroquímico, divulgaram ontem que a Petrobras abriu os envelopes e bateu o martelo.

Segundo fontes, os números ainda não foram divulgados oficialmente, mas o vazamento dos supostos preços das propostas apresentados pelas empresas participantes do certame podem confirmar a informação. Os preços propostos por todos os participantes revelam que em primeiro lugar ficou a Shandong Kerui, com a proposta de R$ 1.947.000,00; seguida pela Fluor, com R$ 2.284.738,00, em terceiro a Cobra/Qualiman, R$ 2.284.791,00 e por último a Tecnimont, com R$ 4.246.175,00.

Esperança no reaquecimento da região
Manoel Vaz, presidente do Sinticom, lamentou a demora na abertura dos envelopes, mas comemorou a decisão por ser uma empresa que, nos bastidores, já possui contratos com companhias brasileiras para retomada das obras.

“Até que enfim a Petrobras abriu os envelopes. A decisão havia sido adiada duas vezes, mas estamos satisfeitos porque a chinesa Kerui Petroleum, na retaguarda, já possui trabalhos que serão retomados com empresas do consórcio: a Método e a Potencial Engenharia, que juntas com a Tubovia e Mip Engenharia terão os contratos prorrogados e vão poder assinar obras complementares para fazer a interligação do processamento do gás”, revelou Vaz.

A perspectiva do presidente é que já na montagem da logística o processo possa gerar cerca de dois mil empregos diretos e três mil indiretos assinados em até 30 dias. “Com o reaquecimento do setor em Itaboraí vamos trabalhar na defesa do emprego na região. Com a volta dos trabalhadores, o comércio vai reabrir, teremos alimentação coletiva, transporte da locação, uniformes, segurança e a saúde ocupacional de volta”, afirmou o presidente.

Já Edson Rocha, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e Itaboraí, acusa a direção atual da Petrobras de não ser transparente. “Afirmo isso justamente pela falta de transparência como está sendo a condução da empresa. Desconheço os outros concorrentes desta licitação, vimos os chineses visitando o Comperj há alguns meses e, em muitas entrevistas, a própria direção da Petrobras afirmava que a vinda deles seria uma maravilha, a salvação, e que, provavelmente, investiriam na Petrobras sem contrapartidas. Pouco tempo depois, os próprios chineses divulgaram as exigências de contrapartidas”, afirmou.

Edson Rocha condena o jogo de cartas marcadas. “Meu medo é que estejam entregando a Petrobras sem consulta ao povo brasileiro. É fato que qualquer geradora de emprego neste momento é bem-vinda, mas o fato é que ninguém sabe realmente quando estes empregos se tornarão realidade”, disse.

O presidente disse que a falta de transparência da Petrobras gera muitas dúvidas. “Enfim, acho que a Petrobras deveria ter a dignidade de convidar as representações dos trabalhadores para uma reunião e esclarecer como tudo está previsto. Queremos nossos empregos de volta. O que nos preocupa é: qual o preço que pagaremos?”, concluiu.

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