Sepultamento de aposentada emociona e revolta pela falta de segurança

Geovanne Mendes –

Uma cerimônia rápida, discreta e silenciosa, onde pairava no ar um sentimento de injustiça que paralisava cada um dos cerca de 150 amigos e familiares que estiveram presente na tarde de quarta-feira (20), no cemitério Parque da Colina, em Pendotiba, Região Oceânica, no sepultamento da aposentada Maria Alcina Gil, de 66 anos, que foi covardemente assassinada, por uma adolescente de 17 anos e um homem de 18 anos, na terça-feira (19) durante uma tentativa de assalto a poucos metros de casa, na Alameda Carolina em Icaraí, Zona Sul de Niterói. Poucas horas depois do homicídio, agentes da Delegacia de Homicídios já haviam apreendido o menor responsável pelo golpe fatal e à noite outro acusado, de 18 anos, se entregou à polícia para prestar depoimento.

Durante o enterro, o primo da vítima, Jodé Curi Filho, fez um discursso emocionante criticando o que ele chamou de “descaso das autoridades, preocupadas com aparências, showmícios lamentáveis e patéticos, para desfilar com bicicletas, que, por ironia do destino, foram o veículo daqueles que tiraram a vida de minha prima, uma vida ceifada por vermes que pedalam caçando possíveis vítimas”.

“Hoje minha família foi apunhalada pelos lobos famintos, doentes e que não conheceram em suas vidas, embora jovens, o que significa a perda de um ente querido, nesta banalização que anda nos tirando o sono e devastando os corações de tantas famílias. Nos tiraram um ser humano do bem, que era o pilar do seu marido, filhos e netos. Uma dor infinda e indelével. Olhar nos olhos de meu amado primo e vê-lo sem norte, diante dessa perda que não temos como mensurar. Arrancaram essa linda mulher e alma de nossa convivência de forma estúpida e abrupta. Um misto de revolta, dor, indignação, medo, falta de perspectivas por dias melhores, porque faz tempo que estamos à deriva”, contou emocionado.

Maria Alcina se aposentou como analista de sistema do Tribunal de Justiça do Estado do Rio. O marido, engenheiro Elivaldo Bragança Gil, também resolveu se aposentar para passar mais tempo com a esposa. Ele é sobrinho e afilhado do ex-prefeito de Niterói (1983 a 1988), Waldenir de Bragança, que estava muito emocionado no velório e no sepultamento e preferiu não falar com a imprensa.

“Uma cidade que já não é sorriso. Cada vez, com intervalos menores, entre tantos episódios de violências e mortes. Roubando paz, sonhos e desejo de viver numa cidade, que hoje apenas encorpa estatísticas de vítimas do descaso das autoridades, preocupadas com aparências, showmícios lamentáveis e patéticos, para desfilar com bicicletas, que, por ironia do destino, foram o veículo daqueles que tiraram a vida de minha prima, uma vida ceifada por vermes que pedalam caçando possíveis vítimas. Venha a público, senhor prefeito, não para pedalar nas maratonas, mas para nos convencer dos seus efetivos projetos de segurança pública”, concluiu Jodé, primo de Maria.

Em nota a OAB Niterói manifestou o seu repúdio ao grave ato de violência cometido contra uma moradora de Niterói. A entidade se solidariza com a família e seus entes queridos e coloca-se ao dispor para o apoio que se fizer necessário, inclusive atuando junto ao Poder Público para buscar a pronta elucidação do fato, bem como colimando soluções para a melhoria da qualidade da Segurança Pública no município.
“Repudiamos os atos de violência cada vez mais frequentes na cidade e esperamos ações contra esse quadro de insegurança reinante e crescente na cidade”, pronunciou-se o presidente da OAB Niterói, Antonio José Barbosa da Silva.

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