Sepe-Niterói é contra retorno das aulas na rede estadual de ensino

O Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Estado do Rio de Janeiro em Niterói (Sepe-Niterói) está preparando um documento para enviar à Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) mostrando os pontos negativos da abertura das escolas estaduais. O procedimento é considerado precoce pela direção do sindicato já que os colégios não terão como cumprir com os protocolos desenvolvidos pela pasta. A retomada do regime presencial só será realizada após decreto da bandeira verde no Estado com direito a testagens e treinamento dos funcionários que incluem higienização e organização dos espaços.

Segundo nota da Seeduc a orientação foi do governador Wilson Witzel no início dessa semana e o protocolo foi definido por um comitê constituído por especialistas da própria Seeduc, União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), associação de diretores, especialistas em Educação, representantes de escolas particulares e pela Secretaria de Saúde.

O diretor do Sepe-Niterói, Luiz Cláudio Almeida, conta que o sindicato é contra a abertura das escolas e um documento está sendo preparado para ser enviado para a Seeduc. A documentação com as justificativas será feita através do Sepe central.

“Vamos tomar nossas atitudes para contrapor um retorno precipitado. Estamos procurando diálogo e sabemos que ainda não é o momento para a abertura presencial. Ainda estamos em situação complicada e estamos achando que a escola tem a questão de que vai colocar alunos e professores confinados. Esses alunos voltam para casa e podem contaminar os responsáveis. Estamos querendo saber dos protocolos que os governos vão disponibilizar e colocar em prática para essa reabertura. Esses terão que ser cumpridos com todas os itens necessários, inclusive com quantitativo necessário para desinfecção”, frisou.

Um aluno do Colégio Estadual Joaquim Távora, em Icaraí, disse que está com medo de voltar a estudar, já que a escola não oferece o mínimo de higiene.

“Em tempo normal a escola não tem papel higiênico, sabão para lavar as mãos e o ar-condicionado não funciona desde que eu entrei para estudar lá. Agora com uma pandemia como que eles estão dizendo que vão disponibilizar tudo isso? Eu duvido que eles vão colocar álcool em gel em tudo pois eles não colocam o mínimo para a gente. Vai ser muito difícil estudar nessas condições e acho que pode atrapalhar até o aprendizado”, desabafou o jovem de 17 anos que não quis se identificar.

Sobre o sucateamento das escolas o diretor do Sepe-Niterói também foi enfático.

“A rede estadual tem algumas falhas. Não temos material para trabalhar, como por exemplo um pilot para escrever na lousa, e também falta ar-condicionado. Em situação comum a escola não funciona como deveria funcionar e já apresentamos essas situações em um conselho deliberativo virtual onde foi conversado isso com a categoria”, completou Luiz que também é professor em uma escola estadual em Niterói e uma em São Gonçalo.

A dona de casa Ana Cristina da Costa, 64 anos, também tem medo da contaminação caso sua neta volte a estudar.

“Eu tenho medo de contrair a doença. De nada vai adiantar eu ter feito o isolamento todos esses meses se ela for estudar em um lugar que eu tenho certeza que não vai cumprir com essas regras especiais. O Estado já afirmou que não dará máscaras para todo mundo e isso já é o início dessa calamidade. Se a máscara tem que ser trocada ao longo do dia isso já será muito difícil”, pontuou.

NORMAS

De acordo com nota da Seeduc, o uso de máscara será obrigatório para todos os alunos, professores e funcionários. Cada instituição decidirá como será a operacionalização; retornarão os estudantes que estão concluindo os estudos, ou seja, da 3ª série do Ensino Médio (5º e 9º anos do Ensino Fundamental) e o último módulo da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Em escolas híbridas ou de alternância, os estudantes e servidores e não retornarão ao mesmo tempo; quanto à testagem dos profissionais da educação a Seeduc está avaliando a viabilização junto à SES e os testes serão realizados no período de 15 dias após o anúncio da bandeira verde; todas as escolas precisarão ter termômetro à disposição; distanciamento entre os alunos de um metro nas salas de aula e em todas as dependências da escola, seguindo orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS); os colégios terão autonomia pedagógica para elaborarem um planejamento de retorno próprio, definido em parceria com a comunidade escolar e que deve ser validado pelas Diretorias Regionais da Seeduc instaladas pelo estado do Rio de Janeiro; e cada escola desenvolverá trabalho de apoio à questão social e emocional dos alunos.

Além disso, a Seeduc informou que já orientou todas as unidades da rede estadual de Educação a comprarem e instalarem dispensers de álcool gel nas escolas. Ainda de acordo com o informe todas as unidades escolares recebem regularmente verbas de manutenção para realizar pequenos reparos e a reposição de materiais, como pilots, por exemplo. Sobre a climatização, a nota diz que a atual gestão comprou 24 mil aparelhos de ar condicionado, em 2019, para climatizar todos os colégios públicos estaduais, revertendo um quadro encontrado, no início do ano passado, em que apenas 4% da rede estadual tinham climatização adequada.

One thought on “Sepe-Niterói é contra retorno das aulas na rede estadual de ensino

  • 9 de julho de 2020 em 10:22
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    Eu acho o certo a se fazer, já estamos na metade do ano, precisamos nos adaptar a essa nova realidade, pelo menos por enquanto, até a poeira baixar. Pós quarentena só consigo pensar em fazer a minha parte, ir nas urnas e votar em alguém que de fato represente a população carioca, estamos vivendo tempos difíceis e por isso precisamos mudar. Uma cara nova na política que aja de maneira certa e justa. Glória Heloíza, nela podemos confiar! https://www.youtube.com/watch?v=O7b2jR4WVTw&feature=youtu.be

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