“Sempre tratei Niterói como uma filha querida”, diz Rodrigo Neves

Marcelo Macedo Soares –

O final de 2018 não foi nada fácil para o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves. Depois de enfrentar o que era até então o período mais difícil de sua gestão, a tragédia do Boa Esperança, ele seria preso exatamente um mês depois, no que atribui uma tentativa de desestabilizar o bom momento que a cidade vive. Solto e reconduzido ao cargo após pouco mais de três meses, ressumiu a prefeitura e deu continuidade ao plano de metas estabelecido para a cidade. Em entrevista concedida na sede de A TRIBUNA, Rodrigo Neves falou abertamente sobre diversas questões.

A TRIBUNA – O que a popula-ção pode esperar para o segundo semestre?
Vamos entregar o Parque Rural do Engenho do Mato, que será o maior do estado e é esperado há mais de 20 anos. Ele vai possibilitar a realização de muitos eventos que vão fortalecer a economia local e a vocação do bairro, que é o mais rural de Niterói. Também vamos inciar as obras de revitalização da Praça Araribóia, a reforma da Maternidade Alzira Reis e a urbanização do bairro Santo Antônio. Também vamos começar o programa Niterói Jovem Ecosocial, com a criação de frentes de trabalho para 500 jovens de comunidades, com bolsa de R$ 1.300 e oferta de cursos profissionalizantes pelo Senai.

AT – E a obra na Marquês do Paraná?
Essa obra será iniciada agora no segundo semestre e é esperada há décadas. Ela vai resolver o gargalo da Rua Doutor Celestino e reduzir o funil em frente ao Hospital Antonio Pedro. Além disso, vai integrar as ciclovias das avenidas Roberto Silveira e Amaral Peixoto, aumentando o número de ciclistas. Vai resolver também a questão do ponto de ônibus em frente ao Antônio Pedro, que vai passar para cima do mergulhão. Essa intervenção se soma a outras que fizemos para que o trânsito de Niterói não entrasse em colapso. O problema era muito grave em 2012. As pessoas levavam mais de uma hora para ir do Centro a Icaraí, por exemplo.

AT – Um dos problemas mais graves é a violência e prefeitura vem conseguindo reduzir os índices de criminalidade. Que ações destacaria nesta área?
Demos início ao cerco eletrônico total, uma evolução no sistema de monitoramento. Através do Proeis e do Niterói Presente, mantemos 60% do efetivo policial na rua. Para se ter uma ideia, o 12º BPM conta hoje com cerca de 180 policiais por dia nas ruas, por causa da escala, e a prefeitura está colocando 400 através destes programas. No segundo semestre o Niterói Presente chega a São Francisco, Charitas e Jurujuba.

AT – Como avalia a gestão fiscal do município?
Niterói está fazendo seu dever de casa, organizando a administração pública com uma gestão fiscal responsável e transparente, e isso tem permitido a cidade realizar investimentos num contexto onde a maioria das cidades nem salários estão conseguindo pagar. Quando assumimos tínhamos uma situação caótica. Salários atrasados, mais de R$ 300 milhões em dívidas, infraestrutura urbana e administrativa deterioradas. Hoje temos mais de R$ 1 bilhão em caixa para realizar investimentos até o final de 2020. Tudo isso conquistado com planejamento e responsabilidade.

AT – Quem será o seu candidato em 2020?
Só vamos cuidar de eleição em 2020 e vamos continuar focados nessas entregas para a população. Por isso eu tenho a convicção de que Niterói vai reconhecer as conquistas que nós viabilizamos, com um trabalho dedicado, e não vai querer correr riscos de aventuras no ano que vem. Neste contexto, temos nomes e quadros muito qualificados para seguir com essa agenda de mudanças e transformações para a cidade. Temos o deputado federal Chico D´Ângelo, o deputado estadual Waldeck Carneiro, o ex-deputado e meu secretário de Governo, Comte Bittencourt, a Giovanna Victer, o agora deputado Paulo Bagueira, e o secretário Axel Grael. Todos são muito qualificados. Temos esse segundo semestre para conversar com as forças políticas e sociais, e sobretudo através de pesquisas, para entender qual é o desejo dos niteroienses e fazer a escolha do nosso candidato e, com unidade, vencermos a eleição no ano que vem. A oposição não tem projetos para Niterói e muito menos tem dado demonstrações de preparo e de amor à cidade.

AT – Nesta semana foi anunciado o novo secretário de Cultura. Haverá outras mudanças no secretariado?
O Victor De Wolf é um técnico da área de Cultura, está desde o início do governo colaborando na área e, apesar de jovem, é extremamente capacitado. Tenho certeza de que ele vai fazer uma dobradinha excelente com o historiador André Diniz, que preside a FAN, e vem realizando um trabalho muito positivo. Nos próximos dias nós teremos alguns novos ajustes com o objetivo de manter o governo com dinamismo, proatividade e com o espirito empreendedor necessário para que as coisas andem no setor público.

AT – E quem vai ocupar a Secretaria Executiva, vaga desde a posse de Paulo Bagueira na Alerj?
O Bagueira me sinalizou que atenderia o pedido que eu fizesse e nós estamos conversando sobre qual é a melhor missão dele para Niterói. Sinceramente ainda tenho dúvidas, que serão esclarecidas nos próximos dias. É muito importante tê-lo como deputado de Niterói na Alerj, mas por outro lado é também muito importante contar com a participação dele no secretariado municipal.

AT – Sua prisão teve motivação política?
O que aconteceu evidentemente não foi normal. Até hoje não fui ouvido, foram omitidas informações do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e da quebra do meu sigilo, informações essas que corroboravam com a minha idoneidade e minha simplicidade. Sou casado há 25 anos, minha mulher não tem joias, não viajamos para o exterior com frequência, levamos uma vida simples. Apesar de eu trabalhar desde muito jovem e já ter sido vereador, secretário, deputado e prefeito, o único bem que eu tenho é o apartamento onde moro com minha família. Da mesma forma faltaram com a verdade quando fizeram constar que minha esposa seria sócia de uma empresa de ambulâncias envolvida com corrupção, empresa que nunca ouvimos falar.

AT – Após a liberdade, como a foi a reação da população nas ruas?
Eu agradeço demais à população de Niterói todo o carinho e solidariedade que teve com a Fernanda, que é uma mulher extraordiária e foi incansável na defesa da minha honra e da democracia. Esses dias eu comentei com ela que ao longo da minha vida, especialmente nesses anos recentes, me dediquei totalmente à cidade, como se Niterói fosse uma filha querida. Dediquei muito amor a essa filha querida e fico emocionado e feliz pois vi que durante esse período difícil que passei a cidade me devolveu todo esse amor com a confiança e a serenidade diante de uma situação tão grave.

AT – E o que o Rodrigo vai fazer a partir do dia 2 de janeiro de 2021?
Vou me dedicar a minha família, aos meus filhos e minha neta, que nasceu este ano. Pretendo dar aulas, especialmente para a juventude, na minha área de formação, que é a Sociologia. Também quero escrever um livro. Vou voltar a ser um cidadão comum, desejando muita sorte ao meu sucessor.

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