Sempre Criança: Duas décadas de tradição no apoio aos pequenos

Projeto atua auxiliando outras instituições que trabalham com crianças

Ao longo da série de reportagens sobre instituições que apoiam crianças em Niterói, o jornal A TRIBUNA contou um pouco do trabalho desempenhado em lugares como o Lar da Criança Padre Franz Neumair e a Casa Reviver. Na nona reportagem da série, será mostrada a história e as ações realizadas pelo projeto Sempre Criança que, entre diversos trabalhos, também ajuda as instituições citadas anteriormente.

Segundo a presidente da instituição, Gabriela Veras, o Sempre Criança surgiu através da união de um grupo de amigos que queria se organizar para ajudar crianças em vulnerabilidade social na cidade. No ano que vem, o projeto completa 20 anos de atividades em prol dos pequenos. Todavia, Gabriela frisa que, em meio ao cenário de mudanças provocado pela pandemia, foi necessária uma readaptação.

“O Sempre Criança surgiu em 2002, com objetivo de transformar o mundo que a gente vive. Foi uma iniciativa de um grupo de amigos que tem em comum a paixão por criança. Ao longo do tempo a gente foi se organizando melhor, somos juridicamente constituídos desde 2010 e, antes da pandemia, a gente trabalhava de um jeito e agora estamos tentando nos descobrir”, disse.

A presidente também contou sobre os objetivos do Sempre Criança. Gabriela destacou o estímulo ao voluntariado como uma das principais bandeiras do projeto. Ela lembra que, por conta do trabalho de referência, desempenhado em quase duas décadas, a instituição se tornou referência no que diz respeito a ações de apoio a crianças. Com isso, se intensificou o apoio na elaboração de projetos em parceria com outros lugares.

“A gente tem como objetivo duas grandes missões. Queremos levantar e estimular o voluntariado e a cultura da adoção em prol de instituições de apoio á infância. Então, a gente acaba sendo bastante conhecido, aqui na cidade, sendo referência na questão do voluntariado. A gente tem o ‘selo de qualidade’ por fazer um trabalho bacana. Os voluntários, parceiros, empresas, nos procuram pedindo indicação para desenvolver projetos”, explicou.

O Sempre Criança também foi impactado pelas limitações impostas pela pandemia do novo coronavírus. Uma das satisfações de Gabriela é ter conseguido organizar um passeio com crianças do Lar Franz Neumair, que teve sua história contada na primeira reportagem da série de A TRIBUNA, antes do começo das medidas restritivas. A presidente também frisa que, mesmo com a suspensão das aulas nas escolas, por exemplo, o Sempre Criança se manteve firme no propósito de proporcionar uma educação de qualidade aos pequenos.

“O início de 2020 foi diferente. A gente frequenta desde 2012 o abrigo, Lar da Criança, que fica na Ititioca, e todo ano fazemos um passeio, no segundo semestre. Sabe se lá porquê, em 2020 fizemos, uma semana antes da pandemia chegar a Niterói, no Jardim Botânico. Depois as crianças ficaram isoladas. A primeira coisa que a gente fez, em 20 de março, foi fazer uma doação extra de material escolar, porque a gente tem uma bandeira muito forte de fomentar a educação”, prosseguiu.

A educação não foi a única preocupação durante os tempos mais turbulentos da pandemia. A alimentação dos meninos e meninas também esteve no foco das ações do projeto, assim como o trabalho de conscientização diante do perigo que representa a Covid-19. Gabriela lembra que, essas crianças em vulnerabilidade social, por vezes não consegue, manter o isolamento social por conta das condições em que vivem.

“As comunidades ainda não tinham noção do que aconteceria, é difícil fazer isolamento em uma casa, do tamanho de um quarto, onde moram dez pessoas. Primeira coisa que fizemos foi tentar frear que o vírus entrasse nas comunidades, e compramos centenas de sabonetes, distribuindo em vários lugares. A gente também fez uma campanha para garantir a segurança alimentar. Ano passado, se não me engano, foi mais de 60 toneladas de alimentos que conseguimos arrecadar e distribuir”, contou.

Atualmente, o Sempre Criança segue com a campanha de arrecadação de cestas básicas, que são distribuídas também em outras instituições, como a Casa Reviver, cujo trabalho foi retratado no sétimo capítulo da série. Gabriela também agradece pela colaboração do “coletivo do bem” formado por empresários da região, que engrossam as arrecadações dobrando a quantidade de mantimentos arrecadados nas campanhas. No mês de julho, foram 1.455 cestas básicas arrecadadas. Com a intervenção do coletivo, a quantidade pulou para 2.910 cestas.

“No ano passado, todas as campanhas que a gente organiza, conseguimos ter um resultado bacana, mas sempre bate aquele medo. Felizmente, a gente teve muito sucesso. Conseguimos superar todas as expectativas. Quem quiser entrar em contato com a gente, pode ser através do nosso WhatsApp institucional e, no site (semprecrianca.org), tem a campanha da cesta básica, com a relação de todas as formas possíveis para ajudar. Quem puder participar do bazar solidário, estamos com produtos na lojinha que são revertidos para a instituição”, concluiu.

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