Sem salários, universitários fazem vaquinha para ajudar vigias da UFF

Estudantes e professores da Universidade Federal Fluminense (UFF) estão se mobilizando e arrecadando dinheiro e doações de alimentos para ajudarem os vigias terceirizados que trabalham nos campi em Niterói. Cerca de 350 trabalhadores terceirizados estão com salários e benefícios atrasados há três meses. O Sindicato dos Trabalhadores em Asseio e Conservação em Niterói e Região (Sintacluns) realizará uma assembleia hoje, às 10h, na reitoria da UFF, em Icaraí, para definir se a categoria entrará em greve ou não.

Os vigias trabalham para a UFF através de contrato com a empresa Croll e afirmam que o salário de abril foi pago no início de junho, mediante ameaça de greve. Agora o pagamento de maio ainda não foi acertado assim como benefício como vale-alimentação, que está há três meses sem ser repassado. Há informações que alguns desses trabalhadores estão com ameaça de despejo por não estarem pagando o aluguel. “A categoria está sofrendo muito com esses problemas. Entendemos o período complicado que o país está passando, mas todos temos compromissos. Vamos fazer a assembleia e definir se entraremos em greve ou não”, resumiu o diretor jurídico do Sintacluns, Nézio Francisco.

A instabilidade nos acertos da empresa com os funcionários é um problema antigo. “Está muito complicada a nossa situação. As pessoas estão ajudando através de ‘vaquinha’ e de doação de alimentos. As coisas pioram muito e a gente se prejudica, pois pagamos tudo atrasado e ainda com juros. É triste depender de ajuda de terceiros para sobreviver. A empresa faz um esforço para pagar, mas o dinheiro não vem sempre”, contou o vigia Adriano Marques, de 49 anos, que trabalha no campus Gragoatá.

Uma professora da UFF que preferiu não se identificar disse que doou uma cesta básica para um vigilante e está tentando com outros docentes mais doações. O estudante do sexto período de Geografia, Ian Breno Azeredo, de 23 anos, disse que essa situação é lamentável. “Essas pessoas têm seus compromissos. Eles são importantes demais para a universidade. Nós temos problemas com a iluminação, que é deficiente, com mato que não é cortado e essas questões são minimizadas com a presença de um vigia. Me sinto mais seguro”, exemplificou.

A Croll foi procurada através de contatos telefônicos, mas ninguém quis comentar o assunto. A UFF informou em nota que o atraso de pagamento da Croll é de um mês vencido, no dia 7/6. No mais, em relação ao acerto com as empresas, não há novidades quanto ao que já foi amplamente noticiado pela imprensa. Nos próximos dias, a UFF vai lançar uma nota bastante detalhada a respeito da sua situação financeira e orçamentária. O Ministério da Educação também foi questionado mas também não se manifestou até o fechamento dessa edição.

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