Sem acordo, Rodoviários comunicam dissídio da categoria ao Ministério Público

Sindicato da categoria deve iniciar ciclo de assembleias na próxima semana

Após esgotar o prazo estabelecido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), na última segunda-feira (31), continua o impasse entre rodoviários e empresas de ônibus. O Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) divulgou nota em que confirma já ter enviado ao MPT ofício comunicando o início do processo de dissídio da categoria.

Nos próximos dias, será elaborado um calendário de assembleias para que os rodoviários possam apresentar propostas sobre os próximos passos da mobilização da categoria. Não está descartada a possibilidade de realização de manifestações dos trabalhadores ou mesmo a aprovação do indicativo de greve, caso o impasse permaneça.

A escala de assembleias tem o objetivo de evitar aglomerações, mas elas devem ser realizadas ainda durante o mês de setembro, de maneira que haja tempo para novas negociações entre patrões e trabalhadores, até a data-base da categoria, que é 1º de novembro. Vale lembrar que antes dessa data, está descartada a possibilidade de greve.

As decisões dessas assembleias são soberanas e afetarão 8,6 mil trabalhadores de 30 empresas dos cinco municípios, que operam 438 linhas municipais e intermunicipais, em uma frota de 3,5 mil ônibus, e transportam aproximadamente 36 milhões de passageiros por mês. Devido às medidas restritivas de combate à pandemia do coronavírus, as assembleias serão realizadas de maneira isoladas, nas garagens das empresas.

Enquanto isso, nas plataformas do Terminal João Goulart, Centro de Niterói, as opiniões se dividem entre os profissionais da categoria. Muitos defendem que a greve é legítima, pois a categoria encontra-se há dois anos sem qualquer reajuste.

“Eu nunca fiz greve, mas sou a favor porque só assim para as coisas melhorarem para nós. Nossa categoria está muito desvalorizada, precisamos de alguém que lute por nós. Dois anos se passaram e nada foi feito”, explica um rodoviário que pediu para não ser identificado.

Os usuários de ônibus avaliam que uma greve sempre gera preocupação. A profissional de saúde, Danúbia Silva, argumenta que uma greve impactaria em seu retorno para casa. “Na ida para o trabalho, meu marido me leva, mas para voltar preciso pegar ônibus. Como trabalho em regime de plantão, se a greve realmente acontecer, a empresa providenciará meu transporte. Trabalho com saúde e não posso me dar o luxo de parar, mesmo com greve de ônibus”, explica Danúbia.

O comércio no interior do Terminal, assim como no restante da cidade, também sofre com os impactos causados por uma eventual greve no sistema de ônibus da região. Simone Almeida, gerente de uma loja de moda feminina, explica que o comércio não fecha completamente, pois a greve não paralisa totalmente o movimento do terminal.

“Nós mantemos a loja funcionando porque, mesmo com greve, muitos ônibus ainda circulam. O movimento cai em torno de 50%, mas, ainda assim, achamos melhor continuar abertos. A loja cuida do transporte dos funcionários durante esse período”, destaca a gerente.

Setrerj alega dificuldades

O Presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviários (Setrerj), Márcio Barbosa, explica que, devido os decretos municipais e ao decreto estadual de combate à pandemia do coronavírus, as empresas precisaram reduzir drasticamente a frota de ônibus em circulação, o que afetou suas receitas. Além disso, o presidente destaca que o Governo Federal concedeu subsídios apenas às empresas de transporte aéreo, deixando o setor rodoviário sem apoio financeiro durante o período da pandemia, o que gerou enormes prejuízos para o setor.

Márcio confirma que o Setrej reconhece a legitimidade da reivindicação dos rodoviários, no entanto observa que, mediante a atual realidade do setor, as empresas de ônibus não se encontram em condições de atender a reivindicação e entendem que o dissídio é o caminho natural quando não há acordo.

Por fim, o presidente do Setrerj afirma que os rodoviários são os principais arrecadadores das empresas e que são eles, os motoristas, que recebem o dinheiro das passagens de ônibus pagas pelos usuários do serviço.

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