Greve de ônibus em Niterói: segue impasse entre empresas e rodoviários


Ministério Público do Trabalho deu prazo até 31 de agosto para acordo

Há quinze dias de esgotar o prazo determinado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), o Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) confirmou, nessa segunda-feira (16), que até o momento a entidade ainda não foi procurada pelas empresas para negociar o reajuste salarial de 8% da categoria. O impasse segue sem definição. O Sintronac informa que aguarda o fim do prazo estabelecido pelo MPT, 31 de agosto, antes de tomar qualquer decisão.

Rodoviários de São Gonçalo, Niterói, Itaboraí, Maricá e Tanguá reivindicam reajuste salarial imediato de 8% e aumento de 10% no valor da cesta básica e na ajuda de custo para aquisição dos uniformes profissionais. Os percentuais integram o cálculo de reposição das perdas econômicas dos trabalhadores nos últimos dois anos, uma vez que a última convenção coletiva ocorreu em novembro de 2019.

Dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelam que, em 1º de novembro de 2019, quando ocorreu a última data-base dos rodoviários, o custo da cesta básica no Rio de Janeiro era de R$ 455,37, comprometendo 45,62% do salário-mínimo em vigor na época. Atualmente, em valores de junho deste ano, a cesta básica chegou a R$ 619,24, que corresponde a 56,29% do poder aquisitivo dos trabalhadores desta faixa salarial.

As negociações salariais entre rodoviários e empresários foram suspensas em 2020 como consequência da pandemia do coronavírus. Em assembleia realizada na sede do Sintronac, em Niterói, os trabalhadores entenderam que as companhias sofreram prejuízos significativos com as medidas de isolamento social e restrição das atividades econômicas e de lazer adotadas pelos governos na época. Por isso, precisavam de apoio para que não entrassem em falência.
No entanto, o diálogo seria retomado este ano, antes da data-base de 1º de novembro, na medida em que determinados setores da sociedade voltassem a funcionar, o que está ocorrendo inclusive com as escolas.

Contudo, segundo o presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira, “o que a categoria recebeu foi um sonoro não e portas fechadas. De fato, a situação está se complicando”, conclui o presidente, que não descarta uma possível greve da categoria, caso as negociações não evoluam.

No terminal João Goulart, Centro de Niterói, rodoviários manifestam apoio ao sindicato. O despachante Guilherme Couto, 26 anos de profissão, confirma que a categoria está há mais de dois anos sem reajuste salarial e defende a greve, desde que legítima e de maneira pacifica.

“Espero que os empresários atendam nossa reivindicação, que é legítima. Estamos há mais de dois anos sem qualquer reajuste e os preços não param de subir. Está difícil manter o sustento da família. Caso os patrões não atendam nossa reivindicação, sou a favor da greve, mas de forma pacifica. Precisamos mostrar para a sociedade que somos trabalhadores lutando por nossos direitos e não vândalos querendo quebrar os ônibus”, destaca o rodoviário.

Já entre os usuários do transporte coletivo, o clima é de preocupação. Muitos relatam que dependem do ônibus para chegar ao trabalho, como no caso da comerciária Sandra Oliveira, de 28 anos. “Ouvi falar sobre a greve e estou preocupada. Moro muito distante e não tenho outra opção de transporte. Eu dependo do ônibus para chegar no trabalho. Se tiver greve, não terei opção, vou ter que ficar em casa, correndo o risco de ser demitida”, desabafou a comerciária.

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