Secretário de Administração Penitenciária é preso em operação da PF

Foram presos, na manhã desta terça-feira (17), membros da cúpula administrativa da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), durante a Operação Simonia, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular esquema criminoso dentro do órgão. Entre os presos estão o secretário titular da pasta, Raphael Montenegro, além do subsecretário Wellington Nunes da Silva e o superintendente Sandro Farias Gimenes.

De acordo com a PF, a investigação, desenvolvida em conjunto com o Ministério Público Federal e Departamento Penitenciário Federal (DEPEN), demonstrou a existência de negociações espúrias entre a cúpula da SEAP/RJ e lideranças de facção criminosa Comando Vermelho (CV), de origem fluminense, mas com atuação internacional no tráfico de drogas.

Os agentes públicos teriam se comprometido e realizado diversas diligências para viabilizar o retorno de criminosos custodiados na Penitenciária Federal de Catanduvas, Paraná, para o estado do Rio de Janeiro. Investigação aponta ainda que os desvios cometidos pelos investigados foram praticados em troca de influência sobre os locais de domínio destes traficantes e outras vantagens ilícitas.

Além disso, a apuração da PF apontou que os servidores franqueavam a entrada de pessoas e itens proibidos em unidades prisionais estaduais tendo, inclusive, realizado a soltura irregular do criminoso conhecido como “Abelha”, de altíssima periculosidade, contra quem havia sabidamente mandados de prisão pendentes de cumprimento.

Na ação desta segunda, cerca de 40 policiais federais cumpriram os três mandados de prisão temporária e cinco de busca e apreensão, expedidos pela Tribunal Regional Federal da 2ª Região, vez que um dos investigados é detentor de foro por prerrogativa de função. Além da Capital, no Rio de Janeiro, os mandados foram cumpridos nos municípios de Nova Iguaçu/RJ e Duque de Caxias/RJ, na Baixada Fluminense.

O nome Simonia faz referência a uma prática medieval em que detentores de cargos trocavam benefícios ilegítimos por vantagens espúrias. Montenegro foi nomeado para o cargo em janeiro deste ano, pelo então governador em exercício, atual governador efetivo, Cláudio Castro (PL). Nos últimos dias, cresceu a pressão para que ele fosse exonerado após a divulgação de denúncias que o ligam à soltura de “Abelha”. As defesas dos envolvidos ainda não se manifestaram.

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