Se Pezão sair, presidente do TJ pode assumir o Estado

Anderson Carvalho

Depois de ter afirmado na última quinta-feira, em reunião com representantes dos servidores públicos estaduais que poderia não terminar o mandato caso não colocasse em dia os salários do funcionalismo e na última sexta-feira ter dito que poderia renunciar para cuidar mais da saúde, o governador Luiz Fernando Pezão deixou preocupados cidadãos e fez surgir especulações sobre quem assumiria caso ele deixasse o governo. Em virtude da idade avançada do vice-governador Francisco Dornelles e dos problemas de saúde do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), deputado Jorge Picciani (PMDB), sobraria para o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Milton Fernandes de Souza.

“Após as críticas de Picciani, que o chamou de despreparado, Pezão entrou em desespero. Ele não consegue pagar o funcionalismo, nem nada. Vai fazer o quê no governo? Vai renunciar ou sofrer o impeachment. Não tem mais condições de governar. Os deputados que podem votar o afastamento dele também estão desacreditados. Se a Alerj fosse forte já teria votado o impeachment”, explicou o advogado Célio Junger Vidaurre, especialista um Direito Eleitoral.

“Caso Dornelles não possa assumir, Picciani também teria dificuldade. Além da saúde precária, tem a questão moral. Ele foi citado em delações da Operação Lava Jato e teve que depor coercitivamente na Polícia Federal. Ficou com a imagem de corrupto perante a opinião pública. O vice-presidente da Alerj, Wagner Montes (PRB) só assumiria se Picciani deixasse a Alerj para assumir o Estado. Então, sobraria para o presidente do TJ”, calculou Vidaurre.

No ano passado, após licença médica de Pezão para tratar de um câncer, Dornelles assumiu o governo por seis meses. Mesmo com a volta do governador, o vice dá expediente diariamente no Palácio Guanabara. Depois da declaração mais cedo dada a uma revista, Pezão declarou a um jornal carioca que vai ficar sim no comando até o final do mandato, embora tenha que cuidar mais da saúde.

No final da tarde desta sexta, ele reuniu-se no Palácio Guanabara com representantes do Ministério Público Estadual, Tribunal de Contas do Estado e do TJ, como continuidade do processo de busca conjunta de convergência em torno de parâmetros que garantam, nos orçamentos referentes ao período no qual o Estado estará sob o Regime de Recuperação Fiscal (RRF), as condições para auxiliar no equilíbrio fiscal do Rio de Janeiro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

treze − 12 =