Saúde ameaça desqualificar OS que administra o Hospital Azevedo Lima

Após casos de “fura-fila” da vacinação e de uma técnica de enfermagem presa por furtar insumos, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) ameaça desqualificar a organização social (OS) Instituto Sócrates Guanaes da administração do Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal). A unidade de saúde fica no Fonseca, Zona Norte de Niterói.

Em nota oficial, divulgada após a prisão da profissional de saúde, a SES afirma que “colabora com a investigação e que irá oficiar o Instituto Sócrates Guanaes, organização social contratada para prestar serviço na unidade”. A Secretaria também coloca que a OS terá dez dias para se pronunciar sobre o fato e que, no final da apuração, a secretaria poderá advertir a OS, aplicar multa ou até desqualificar o instituto.

O Instituto Sócrates Guanaes foi procurado, por telefone, para comentar sobre a declaração da Secretaria de Saúde. Entretanto, o número informado por um atendente como sendo “do setor de comunicação” estava ocupado em todas as tentativas de ligação.

‘Fura-fila’ da vacinação

O ex-diretor da unidade de saúde, Rogério Casimiro, prestou depoimento, na quinta-feira (25), à Delegacia de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DCC-LD). A especializada o investiga por, segundo denúncias, ordenar que funcionários do setor administrativo e dois enteados, de 16 e 20 anos, fossem vacinados contra a covid-19.

Segundo a especializada, Casimiro compareceu acompanhado de sua advogada e o depoimento durou aproximadamente cinco horas. A defesa do adolescente de 16 anos que foi vacinado no Heal optou pelo direito de silêncio e declinou de sua oitiva. Nesta semana, a investigação irá analisar os documentos e áudios apresentados para verificar a necessidade de perícia ou oitiva de novas testemunhas.

De acordo com o delegado Thales Nogueira, titular da especializada, como o conteúdo do material levado por Rogério ainda será analisado, a especializada optou por não divulgar o conteúdo da declaração. Cabe ressaltar que a defesa do ex-diretor havia solicitado que ele fosse o último a prestar depoimento, entre os envolvidos.

No dia 16 de março, a Secretaria de Estado de Saúde confirmou que Rogério e sua ex-esposa, Adriana Morais Pereira, foram demitidos pela Organização Social que gere o Hospital Estadual Azevedo Lima. Adriana é mãe dos jovens que teriam sido vacinados ilegalmente.

Furto de insumos

Uma técnica de enfermagem do Hospital Estadual Azevedo Lima, foi presa, por desviar medicamentos e insumos da unidade, na quinta-feira, em Magé, na Baixada Fluminense. Ela responderá por crimes contra a saúde pública e receptação.

A ação foi coordenada por policiais civis da 65ª DP (Magé). Segundo a delegada Isabelle Conti de Almeida, titular da distrital, a investigação foi denunciada após sua equipe receber denúncia de que a acusada fazia atendimentos médicos usando insumos desviados da unidade.

“Recebemos denúncia de que uma profissional da saúde desviava medicamentos e insumos médicos do hospital para realizar atendimentos particulares em Magé”, informou a delegada.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, a direção do Hospital Estadual Azevedo Lima (HEAL) abriu sindicância para apuração dos fatos. Os órgão afirmou que que não há registro de casos semelhantes na unidade nos últimos sete anos.

Por Vítor d’Avila

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