Sarampo: falta de transparência sobre doses nos postos

Raquel Morais –

A falta de informação dos órgãos públicos sobre a distribuição da vacina contra o sarampo reflete no usuário final da rede de saúde. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) não divulga a quantidade enviada para os municípios e nem a data do último lote. Algumas administrações públicas também não comentam esses números. Enquanto isso, postos de saúde de São Gonçalo, por exemplo, estão desabastecidos e as filas chamam atenção de quem passa por esses locais. Esse é o caso da Clínica da Família Dr. Zerbini, na Avenida Dr. Eugênio Borges, no Arsenal em São Gonçalo, onde dezenas de pessoas se aglomeraram por volta das 7h de ontem na frente da unidade em busca de marcação de consulta e da dose da vacina.

Segundo funcionários do posto, a vacina acabou na semana passada, sem previsão de novo lote. Uma moradora de São Gonçalo que preferiu não se identificar comentou que foi informada para retornar somente no início da Campanha Nacional de Vacinação, prevista para ser realizada entre 6 e 31 de agosto, com Dia D marcado para 18.

No Posto de Saúde da Família Wally Figueira da Silva, no Rocha, a vacina teria acabado na última segunda-feira.

“Estamos para receber um novo lote ainda essa semana, mas sem data confirmada. A orientação que recebemos é que a vacina só pode ser aplicada em crianças, parte da rotina de imunização. Para os adultos serão aplicadas as vacinas apenas na campanha”, explicou a enfermeira Daniele Silva.

A profissional da saúde ainda explicou que as doses chegam semanalmente, geralmente são cinco frascos que rendem 10 doses cada, ou seja, 50 doses por semana.

A dona de casa Ana Regina Maciel, de 43 anos, esteve na unidade de saúde e não conseguiu a dose.

“A campanha vai começar e eu vou esperar o início para me vacinar. Eu não tenho certeza que tomei essa vacina quando criança, então vou me vacinar. Mas não vou procurar em outro posto não pois isso acaba gerando custo de passagem”, resumiu a gonçalense.

A Prefeitura de São Gonçalo informou que às 7h as unidades de saúde estão fechadas, e só abrem às 8h. Existe mesmo essa aglomeração das pessoas em diversas unidades pois as pessoas chegam cedo. As remessas da tríplice viral estão sendo disponibilizadas normalmente, não existe falta da vacina no município, o que acontece são faltas pontuais em unidades de saúde, que dependem de um veículo refrigerado da imunização para repor as vacinas. Ainda de acordo com o informe a vacina está à disposição em 70 salas de vacinação da cidade, já que faz parte do Calendário Nacional de Vacinação. Somente de janeiro a junho de 2018 foram realizadas 11.244 imunizações e somente em julho 1.500 pessoas foram imunizadas.

Já em Niterói na Policlínica Regional Carlos Antônio da Silva, no Centro e na Policlínica Regional Dr. Sérgio Arouca, no Vital Brazil, a equipe de reportagem de A TRIBUNA encontrou as doses da vacina. “Eu acho que deve ter chegado hoje [ontem], pois eu na semana passada tinha ido em outros postos de saúde e não tinha conseguido me vacinar”, pontuou um homem que não quis se identificar.
A SES foi questionada sobre o abastecimento em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá, mas não soube responder.

ITABORAÍ
A Secretaria Municipal de Saúde de Itaboraí informou que recebeu a primeira parcela que corresponde a 50% das doses, sendo 7.050 mil doses na última sexta-feira. A segunda parcela ainda será liberada pela SES. De acordo com a Coordenação de Imunobiológicos da pasta não há nenhum caso de Sarampo confirmado e nem suspeito na cidade.

MARICÁ
A Prefeitura de Maricá se limitou a informar que não existem casos confirmados de sarampo no município, e que ainda não há uma campanha de vacinação e as doses são aplicadas nos postos de saúde conforme normativa do Ministério da Saúde.

CLÍNICAS PARTICULARES
Enquanto o imbróglio na rede pública não é resolvido as clínicas particulares comemoram as aplicações da tríplice viral e da tetra viral. Alguns estabelecimentos, como é o caso da Vacinar, em Icaraí, percebem aumento na demanda para essas imunizações de até 10% quando comparado com outras épocas. Na unidade da Zona Sul a primeira é vendida por R$ 120 e a segunda por R$ 360. E o niteroiense que correr atrás de preço consegue um bom desconto. Por exemplo, na Alergoar, do Centro, a tríplice está sendo vendida por R$ 90, assim como na Viva Imune, no mesmo bairro. Já a tetra viral nessa última custa R$ 260 a dose. Na Prophylaxis, em Icaraí, a primeira custa R$ 100 e a segunda R$ 310. Na Imunológica, também em Icaraí, a tríplice está em falta e a tetra está sendo vendida por R$ 310.

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