São Gonçalo tem apenas 16,35% do esgoto tratado

Raquel Morais –

De acordo com a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) o município de São Gonçalo tem apenas 38,09% do esgoto coletado e 16,35% do esgoto tratado. Ambientalistas chamam atenção para os danos da falta de tratamento de esgoto e do despejo irregular nos rios e córregos, que estão interligados a Baía de Guanabara. O saneamento básico na cidade será tema de uma Audiência Pública no próximo sábado, 25, às 9h na Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), no Patronato.

De acordo com nota a Comissão Especial de Acompanhamento para Implantação do Novo Modelo de Governança da Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro da ALERJ, presidida pelo deputado estadual Waldeck Carneiro (PT), em conjunto com a Comissão de Saneamento Ambiental da assembleia, vai discutir o tema ‘projetos prioritários para a região metropolitana do Rio de Janeiro na área de saneamento básico e suas fontes de financiamento’. “Temos desafios a superar. Em alguns municípios falta a cartografia das redes de drenagem, fundamental para o planejamento de ações no campo do saneamento, ou seja, as prefeituras não sabem onde estão os dispositivos implementados em obras passadas. Isso faz com que seja difícil fazer um diagnóstico das populações que estariam mais suscetíveis a inundações e, portanto, deveriam ser priorizadas em um programa de assentamento”, destacou Waldeck.

Ainda segundo Abes o município de São Gonçalo tem apenas 84% de abastecimento de água. O ambientalista Alex Figueiredo explicou os danos do despejo in natura de esgoto no meio ambiente. “O não tratamento do esgoto gera extinção de córregos e rios com excesso de material orgânico. O rio poluído faz despejo no corpo hídrico, que no caso é a Baía de Guanabara. Precisamos desesperadamente ter nossos rios e córregos limpos para termos a nossa Baía de Guanabara limpa novamente. O esgoto tem que ser tratado e ainda estamos falando de uma população que é o dobro de Niterói. Afeta em várias questões desde prejudicar o setor pesqueiro até o aparecimento de vetores e doenças”, exemplificou.

A moradora da Rua Padre Marcelino, Alclair Ribas, 73 anos, mora em frente ao valão que separa o município de Niterói e São Gonçalo, na divisa do Barreto e Neves. O grande valão recebe esgoto sem tratamento da captação de São Gonçalo e o resultado é trágico. Forte odor em dias de calor, roedores, moscas e outros insetos são comuns na região. “Eu gostaria que esse valão fosse tapado com uma laje e em cima construíssem uma praça com academia de ginástica e brinquedos para as crianças. Seria a utilização de um espaço inútil que só serve para atrair mais sujeira”, sugeriu.

A Prefeitura de São Gonçalo e a Cedae foram procuradas pela reportagem de A TRIBUNA mas não se manifestaram sobre o assunto até o fechamento dessa edição.

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