São Gonçalo não conta com equipamento para prevenir contra temporais

Pedro Conforte –

Muitos leem ou veem na televisão os meteorologistas fazendo previsões de como o tempo ficará, mas a maioria da população não faz ideia de quanta tecnologia está envolvida por trás dessas previsões. Radares, satélites, estações climáticas, modelos numéricos são algumas das ferramentas usadas para chegar ao mais próximo da realidade e tentar prever o mau tempo com antecedência e, assim, evitar tragédias. Mas o aparato que existe hoje no Estado é suficiente? Para se ter ideia, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) possui 44 estações em todo o Estado, sendo sete na cidade do Rio, um número bem abaixo do que é recomendado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). São Gonçalo, uma cidade que sempre sofre com as chuvas, não tem estação.

De acordo com a OMM, o ideal seria uma distância de 15 quilômetros entre cada estação, mas especialistas acreditam que 30 quilômetros é um número ideal para uma cidade como o Rio de Janeiro. Levando em conta esta distância, o Rio de Janeiro deveria ter 42 estações, bem diferente das sete existentes. Outro exemplo é São Gonçalo, que sofre com constantes chuvas e alagamentos. A cidade não possui estação do Inmet, então todas as previsões são feitas por aproximação, deixando os dados menos precisos. Segundo o mesmo padrão (de 30 quilômetros a cada estação), a cidade deveria ter no mínimo nove estações.

Para o professor da Universidade Federal Fluminense e meteorologista Jorge Luis Fernandes de Oliveira, quanto mais investimento e tecnologia melhor.

“Para a previsão convencional, quanto mais estações na superfície melhor, que medem as mudanças na área. Outra coisa que seria importante são as estações de altitude. Estas informariam temperatura, pressão, umidade e os ventos, mas no Brasil temos um número muito pequenos dessas estações, ligadas na maioria das vezes aeronáutica. As estações de altitude são aquelas que lançam balões na atmosfera, ele vai subindo e vai sendo deslocado pelo vento. O meteorologista tem informação de uma área bem grande, podendo chegar a 300 quilômetros”, explicou o professor.
Sobre as recentes tragédias, que envolveram desmoronamentos decorrentes da chuva, no Estado, o meteorologistas lembrou que: “a natureza não reclama dos maus tratos, quanto ela cobra, cobra muito caro”.

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