SÃO GONÇALO: FALTAM ÁRVORES, FALTA METRÔ E FALTARAM GESTORES COM SENSIBILIDADE

Celio Junger Vidaurre

O segundo município mais populoso do RJ perdendo apenas para a capital, detém 1.100.000 habitantes vivendo numa situação crítica de abandono de homens públicos. O cenário onde vive essa gente é drástico, deprimente e, pelo visto, de ano para ano, de gestão para gestão, nada é modificado, pois, os políticos do município quando chegam ao executivo municipal pensam apenas em se beneficiar do cargo para chegar à ALERJ ou à Câmara Federal ou, ainda, para encaixar a mulher ou um irmão onde mais lhes convêm. Essa é a prática exercida desde os anos 1960, depois das passagens de Joaquim Lavoura e Geremias de Mattos Fontes. Não só árvore, metrô e emprego, falta tudo em São Gonçalo.


Geralmente, usando o que a Lei Eleitoral lhe confere, o Prefeito em exercício tenta, às vezes, a reeleição, e consegue ficar oito anos no cargo. Ao chegar ao fim de seu mandato e na avaliação ocorrida, é constatado que não plantou sequer uma árvore na cidade, não tentou junto aos governos estadual e federal a implantação do sonhado METRÔ que partiria de Itaboraí para chegar a Niterói, ou seja, não produziu nada, absolutamente nada que aliviasse essa vida maldita dos moradores. Repisa-se, a quantidade de ônibus que operam as linhas municipais e intermunicipais e expõem os moradores com as emissões de poluentes gasosos de maneira vergonhosa e covarde.


Dentro desse tempo informado, já se viu de tudo no município. Prefeito impugnado e afastado das funções, prefeito preso, irmão de prefeito preso, prefeito, sua mulher ou seu irmão conseguindo mandato de deputado, prefeito conseguindo comprar belas mansões fora do município, enfim, uma verdadeira farra administrativa. Como já se disse, são 60 anos de prática abusiva nesse município, berço de grandes artistas como foi o palhaço Carequinha, como são os compositores Altay Veloso e Seu Jorge. Não se falando no lendário craque Zizinho, saído de Neves para brilhar no Flamengo, Bangu, São Paulo e Seleção Brasileira.

Nem um estádio com seu nome foi providenciado ou cogitado.
A história de São Gonçalo é rica de figuras que sempre divulgaram o município. Todavia, destes tempos de desgovernos vividos, só se vê lamentações com esses homens públicos sem sensibilidade sobre o horror vivido pela população. Uma vida sacrificada pela omissão dos gestores públicos que só pensam em usufruir dos cargos cedidos. É preciso dar um basta nessa situação. Por enquanto, em regime de urgência, só se pode contar com as intervenções dos fiscais vereadores, sempre inoperantes ou, então, da participação do Ministério Público. O certo é alguém proteger esses moradores do caos em que estão metidos. A não ser, de fato, o desejo da chegada de uma tragédia anunciada.


O pior de tudo é, após o tempo do processo de Revolução Industrial, o município perdeu totalmente a sua força no setor quando o progresso tecnológico e econômico foi atingido no país e, assim, as fábricas existentes em São Gonçalo fecharam suas portas deixando um vácuo e jamais conseguiram reverter a situação depois desta profunda alteração na condição de vida do trabalhador gonçalense. Nesse processo de esvaziamento industrial, passaram a não existir mais a Cia Nacional de Cimento Portland, a Siderúrgica HIME, a Cia Fiat Lux, a Cia Indústria de Papéis Alcântara, a Cia Vidreira do Brasil- Covibra, a Cia Eletro Química Fluminense, entre outras. Não esquecendo das indústrias de pescado. Tudo foi encerrado no fim do século passado.


Com isso, o município ficou reduzido na tentativa do atual prefeito para a retomada da economia como uma das prioridades. No momento, foi instalada no território gonçalense uma modesta empresa de materiais náuticos (Rumo ao Mar). Ainda não deu para o trabalhador desempregado deixar de procurar trabalho em centros distantes com as dificuldades nos ônibus e da permanente poluição. Não será tarefa fácil nos próximos anos solucionar um problema criado por falta de criatividade e competência de vários gestores. O tributo que o município tem a pagar é muito grande e a população, idêntica a grandes capitais brasileiras sofrerá, convivendo com essa falta de oportunidade de trabalho.

UMA VIDA DE MUITO SACRIFÍCIO E MUITA DESUMANIDADE!

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