São Gonçalo diz que pode aplicar novas doses, caso lote vencido seja confirmado

Uma reportagem divulgada pelo jornal Folha de São Paulo nesta sexta-feira (2), apontou que cerca de 26 mil doses da AstraZeneca foram aplicadas fora da validade em 1.532 municípios do país. Algumas das cidades do estado do Rio de Janeiro que teriam feito a aplicação dessas doses se posicionaram oficialmente após a veiculação da matéria pelo periódico paulistano. São Gonçalo garantiu que está apurando o caso, mas que fará contato com as pessoas que receberam as doses para que elas sejam novamente aplicadas, caso seja confirmado o vencimento do lote no momento da aplicação.

O jornal A Tribuna procurou a Secretaria de Estado de Saúde (SES), que informou, em nota, “que todos os lotes da vacina Oxford/Astrazeneca enviados aos 92 municípios do estado estavam dentro do prazo de validade”.

O comunicado explica que dos lotes mencionados na reportagem da Folha de SP, o estado do Rio de Janeiro recebeu apenas dois. O lote 41202Z005, com validade para 14.04.21, foi recebido pelo estado do Rio de Janeiro no dia 23.01.21 e distribuído aos municípios nos dias 23.01, 01.02, 02.02 e 24.02.21. Já o lote CTMAV506, com validade para 31.05.21, foi recebido pelo Estado em 26.03.21 e distribuído aos municípios no mesmo dia.

A nota também explica como a secretaria fez o procedimento dessas doses recebidas

“Os imunizantes contra Covid-19 são adquiridos e enviados pelo Ministério da Saúde aos estados. A SES é responsável pela distribuição das doses do imunizante aos 92 municípios do estado, assim como orientar as secretarias municipais de Saúde. Desta forma, a Secretaria montou uma operação logística, desde o início da disponibilização dos imunizantes pelo ministério, permitindo que as vacinas sejam disponibilizadas no menor prazo possível aos municípios por meio de helicópteros e comboios terrestres, escoltados pela Polícia Militar”, explicou.

A Secretaria Estadual de Saúde finaliza que assim que as doses chegam à Coordenação Geral de Armazenagem (CGA), localizado no Barreto, na Zona Norte de Niterói, “uma equipe de mais de 30 pessoas inicia o trabalho de separação, checagem de temperatura e documentação. Os imunizantes têm as validades e os lotes checados e cadastrados no sistema, assim como uma série de outros parâmetros exigidos por normas jurídicas relacionadas ao setor farmacêutico”.

A pasta finaliza o comunicado reiterando que não houve entrega de vacinas fora do prazo de validade:

“A Subsecretaria de Vigilância e Atenção Primária à Saúde (SVAPS) reforça que não houve distribuição aos municípios de doses de Oxford/Astrazeneca vencidas. A SVAPS está apurando junto às secretarias municipais de Saúde se houve algum erro de registro das doses no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI)”, finaliza a nota.

São Gonçalo vai apurar situação, mas admite que pode aplicar novas doses se a situação for confirmada.

Com 15 doses que teriam sido aplicadas após o vencimento, a Prefeitura de São Gonçalo informou que vai apurar internamente para saber se, de fato, a aplicação ocorreu fora do prazo. Caso isso seja confirmado, o Executivo gonçalense explicou que vai entrar em contato com os vacinados para que recebam uma nova dose.

“A Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil de São Gonçalo informa que vai checar o que aconteceu com as respectivas doses (15 de um único lote). Caso seja comprovado que houve aplicação de doses vencidas, o município irá procurar as pessoas vacinadas e tomar as medidas necessárias para garantir o processo de imunização das mesmas”, informou a Prefeitura de São Gonçalo em nota.

Fundação Oswaldo Cruz diz que o lote foi fabricado na Índia

A Fiocruz esclareceu que as doses da vacina AstraZeneca que teriam sido aplicadas fora da validade, não foram produzidos pela instituição. Parte dos lotes (com numeração inicial 4120Z) é referente aos quantitativos importados prontos do Instituto Serum, da Índia, chamada de Covishield, e entregues pela Fiocruz ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde (MS) em janeiro e fevereiro deste ano. Os demais lotes apontados foram fornecidos pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS).

“Todas as doses das vacinas importadas da Índia (Covishield) foram entregues pela Fiocruz em janeiro e fevereiro dentro do prazo de validade e em concordância com o MS, de modo a viabilizar a antecipação da implementação do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, diante da situação de pandemia. A Fiocruz está apoiando o PNI na busca de informações junto ao fabricante, na Índia, para subsidiar as orientações a serem dadas pelo Programa àqueles que tiverem tomado a vacina vencida”, disse em nota.

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