SÃO GONÇALO: 700 MIL SEM DONOS

Celio Junger Vidaurre* –
O segundo município do Estado do Rio de Janeiro em termos de votos, que só perde para a Capital, hoje possui em torno de 700 mil eleitores e chegou em uma fase em que sua classe politica em desgaste total não tem mais qualquer hegemonia sobre esses votos. A ex-prefeita Aparecida Panisset (PDT) que governou por 8 anos teve seu irmão Marcio Panisset envolvido em processo por corrupção e preso por encontrarem só na sua casa uma verba respeitável: 1 milhão de reais, além de armas. O ex-prefeito a seguir foi Neilton Mulim e foi outro que saiu desmoralizado do cargo, pois, pagou caro na prisão que cumpriu por boa temporada. Foi um festival de falcatruas.
Outros prefeitos anteriores a esses dois já perderam as lideranças que detinham, Edson Ezequiel não conseguiu sequer reeleger sua mulher Graça Mattos, deputada estadual, o grupo de Joaquim Lavoura e Geremias Fontes não deixou nenhum herdeiro para contar a história de seus tempos. E o atual prefeito e médico José Luiz Nanci, de família tradicional do município não conseguiu se firmar como autêntico líder desse mundo de votos, ou seja, o eleitorado gonçalense está sem liderança e procura quem quer se habilitar a comandá-lo.
Nem nos bons tempos petistas se viu alguém capaz de assumir essa montanha de votos. Aliás, o então PMDB também não foi bem representado nesse município que já ultrapassou a casa de 1 milhão de habitantes e tem Niterói ao seu lado com candidatos que não conseguem assimilar que poderiam captar uma parte desses votos. Mas, não. Passa o pleito e voto mesmo os niteroienses conseguem muito pouco. Que fenômeno é esse? Quem define esses votos? Outra coisa que não tem explicação é sobre a tendência desse povo gonçalense. De Lavoura a Neilton Mulim quem era esquerdista, direitista ou oportunista?
Alguém nesse município pode informar o que a ex-deputada Graça Mattos representava? O que Aparecida Panisset e seu irmão Marcio traduziam ideológicamente? O que Neilton Mulim, ex-Garotinho, e o atual prefeito José Luiz Nanci do partido dos ex-comunistas, PPS, agora Cidadania, fizeram até aqui para se ter uma ideia plausível para serem bem avaliados pelo eleitorado? Não, os homens e mulheres que passaram e passam pelos cargos executivos da cidade não mostraram nenhuma liderança segura, competente e duradoura.
Não há nenhum episódio favorável a esses políticos que já comandaram o município de São Gonçalo, as figuras passaram e não deixaram saudades, com a exceção de Joaquim Lavoura que depois de 50 anos ainda é lembrado pelos saudosistas, apesar de não se reconhecer o que essa lenda gonçalense deixou de positivo. Será que foi apenas as transformações das áreas rurais em ruas de chãos batidos? Até hoje não se vê uma grande obra arquitetônica no município.
Torna-se necessário uma grande reflexão de todos os políticos no entorno de São Gonçalo para avaliar suas perspectivas no próximo pleito, vez que, como se vê, o segundo colégio eleitoral do estado está flutuando e até dizendo: estou a disposição de todos, por favor, me peguem. Na verdade, quem não quer enxergar essa abertura futura, faça-me um favor, não dá para o negócio, tem que partir para outra profissão. Política não é o ramo adequado.
O passado não pode servir para esconder o futuro!

 

*Célio Junger Vidaurre é advogado e cronista político. Publica seus artigos em 11 jornais diários e 16 semanários

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