Sambistas protestam contra corte de recursos no Carnaval

Wellington Serrano

Um dia após a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) anunciar que poderá não realizar os desfiles do Grupo Especial no próximo ano com o corte de 50% na subvenção da Prefeitura do Rio um protesto simbólico está sendo marcado pela internet para amanhã, com concentração na porta da Prefeitura, às 15h, seguindo até a Rua Marques de Sapucaí. Segundo a página do Facebook ‘Sambistas da Depressão’, a ideia do movimento é carregar a luta, mostrar para o prefeito que o samba está ali, do ladinho da prefeitura e que a classe não vai se calar. “Vamos mostrar que antes e depois dele estaremos ali, não importa o quanto ele queira abafar, vamos fazer um grande ensaio técnico fora de época. O carnaval precisa desse repasse, precisamos que ele entenda que o populismo dele já deu”, afirmou o carnavalesco Milton Cunha na página.

Na noite dessa quarta-feira, a Liesa divulgou uma nota nas redes sociais em que comunicou a decisão de não realizar os desfiles das escolas do Grupo Especial em 2018. A decisão da Liesa foi tomada durante uma reunião na sede da entidade com a participação de presidentes das escolas de samba. Os dirigentes aguardam o agendamento de uma audiência já solicitada com o prefeito Marcelo Crivella para tentar “encontrar uma solução para o problema”.

Na nota, a Liesa destaca os “benefícios econômicos, financeiros, de geração e renda, além da valorização da imagem da cidade do Rio de Janeiro e do Brasil” e o aumento substancial da arrecadação de impostos e receitas diretas e indiretas “proporcionadas durante o período de preparação e realização dos desfiles carnavalescos”.

Segundo a Liesa, o corte nos recursos “trará graves consequências para produção do espetáculo” e tornará os desfiles inviáveis de serem feitos com a mesma qualidade com que estavam sendo produzidos. A entidade também destacou que Crivella, enquanto candidato, visitou a sede da Liesa e firmou um compromisso de manter o subsídio aos desfiles, com perspectiva de aumentar os recursos.

Polêmica
Na segunda-feira, Crivella oficializou a redução nos subsídios, alegando que transferirá o valor poupado para manutenção de creches conveniadas com o município. De acordo com a prefeitura, as escolas de samba receberam cerca de R$ 24 milhões este ano.

No entanto, a prefeitura garantiu que o remanejamento não significa que as escolas de samba ficariam sem recursos. A ideia oficial é fazer investimentos diretamente nas agremiações por meio do Conselho de Turismo, com a utilização de um fundo setorial ou por cadernos de encargos.

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