Saída de Quaquá do Brasil racha o PT no Rio

Wellington Serrano –

Foi só a equipe de A TRIBUNA revelar com exclusividade intenção do ex-prefeito de Maricá Washington Quaquá (PT) de morar em Lisboa, onde pretende dar aulas de sociologia e fazer mestrado, para os caciques do PT pedirem a cabeça do presidente regional da legenda no Estado do Rio de Janeiro, alegando falta de atenção com o PT. Na tarde de ontem, através de um manifesto com centenas de assinaturas, alguns membros da legenda pediram a saída dele da presidência do diretório. Entre eles, Waldeck Carneiro, do vereador Reimont, do ex-deputado, Waldih Damous e Adilson Pires (ex-vice-prefeito do Rio).

“É público e notório para grande parte da militância petista fluminense que o atual diretório estadual sequer se reúne. O PT-RJ deixou de funcionar como organização partidária: não discute estratégia ou tática”, diz um trecho do documento.

O impasse ficou mesmo entre as duas principais forças da legenda após Quaquá, procurado por A TRIBUNA, dizer que os insatisfeitos são a ‘minoria da minoria’ e atacar o deputado Waldeck Carneiro.

“Aliás são todos derrotados, menos o candidato do Rodrigo, Waldeck, que apesar de diminuir a votação, conseguiu se eleger. Daremos uma resposta depois do carnaval com um grande ato de lançamento de nossa chapa para a disputa interna. Esses movimentos de esperneio da minoria são normais nos processos de disputa no PT”, disparou Quaquá.

O ex-prefeito de Maricá disse também que quando assumiu a presidência tirou o PT do governo Cabral.

“Deixamos de ser linha auxiliar do PMDB. Isso desagradou as viúvas do Cabral. Esse é um manifesto que junta viúvas e derrotados nas últimas eleições. Eu tive 74 mil votos para deputado!”, realçou.

O fogo amigo interno dos ‘caciques’ esquentou a disputa que vai definir o novo presidente do partido. O entrave evidenciou o racha e fez com que o deputado estadual Waldeck Carneiro, que trabalha para a ruptura, partisse para o ataque.

Ele disse que não tem nenhuma preocupação neste momento com eleição interna do PT. Tampouco com o lançamento de chapa, de quem quer que seja. Mas, apontou os problemas de gestão interna do ex-prefeito de Maricá.

“Aliás, a impressão que se tem é que Quaquá só está pensando em eleição interna, em montagem de chapa ou coisas assim. Preocupo-me, isto sim, com o fato de que, até hoje, o PT-RJ não fez um balanço das eleições 2018, quando, mais uma vez, fomos fragorosamente derrotados nas urnas, no Rio de Janeiro. Também me preocupo com a ausência, até agora, de prestação de contas sobre os recursos de campanha empregados pelo PT-RJ. Preocupo-me, ainda, com o fato de que o PT-RJ sequer adotou posição política oficial sobre o governo Witzel, assim como não o fez ao longo de todo o desgoverno Pezão”, criticou Waldeck.

Segundo o deputado, a instância estadual de direção do PT-RJ não se reúne mais para discutir tática ou estratégia; nem para discutir a conjuntura; nem para adotar posições sobre os problemas que afetam o cotidiano do povo fluminense.

“O PT-RJ admite, com frequência, atitudes desviantes de filiados que adotam posição afrontosa ao programa, ao ideário ou até a candidaturas petistas. Ou seja, o PT-RJ não se conduz mais como uma organização partidária de fato. E isso não é de responsabilidade individual, reconheço; é de responsabilidade coletiva. Mas a presidência tem, ou deveria ter, muita responsabilidade na condução do Partido. Respeito mandatos de quem se elegeu. Não questiono que Quaquá seja o atual presidente do PT-RJ, até a próxima eleição interna, ainda que considere seu trabalho, como dirigente partidário, muito fraco. Mas entendo que, se ele deixar o Brasil, deve, no mínimo, se licenciar da presidência do PT-RJ, enquanto residir no exterior. Não acho que um partido político, muito menos um partido com a história do PT, possa ser dirigido virtualmente”, concluiu Waldeck.

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